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Universidade Federal do Acre

Floristics and Economic Botany of Acre, Brazil
Florística e Botânica Econômica do Acre, Brasil



Caracterização Ambiental da Região do Alto Juruá


Marcos Silveira

Universidade Federal do Acre, Departamento de Ciências da Natureza/Parque Zoobotânico - BR 354, km 05 - 69915-900 - Rio Branco, Acre - email: silveira@inbrapenet.com.br

José Marcelo D. Torezan

Universidade Estadual de Londrina, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Biologia Animal e Vegetal - Campus Universitário - 86051-970 - Londrina, Paraná - email: torezan@npd.uel.br

Douglas C. Daly

The New York Botanical Garden, Institute of Systematic Botany - Bronx, 10458-5126 - New York, NY - email: ddaly@nybg.org

 

Introdução

A região compreendida pela bacia hidrográfica do Alto Juruá, está situada na Amazônia Ocidental, uma porção singular da bacia Amazônica que representa quase 50% da área total do Estado do Acre, abrangendo sete municípios. Existem na bacia três categorias e praticamente 20 unidades de conservação cuja área total aproxima-se de 14.000 km2, significando que cerca de 20% de sua área total está oficialmente protegida.

A riqueza biológica e a beleza cênica ali observadas são expressadas em relatórios técnicos, artigos e encontros científicos e levantamentos recentes tem registrado a ocorrência não apenas de espécies raras ou desconhecidas de pássaros, insetos, anfíbios e plantas, assim como de espécies andinas e subandinas e de outras que restringem sua distribuição ao Perú e Bolívia, sendo o único local do Brasil em que ocorrem.

A riqueza ambiental, considerada um dos principais elementos responsáveis pela ocorrência de alta diversidade biológica, é manifestada pela ocorrência de diferentes formações florestais. São observadas no Alto Juruá vários tipos de floresta: aberta com palmeiras, com bambu (tabocal), periodicamente e permanentemente inundadas (várzeas), floresta densa na planície aluvial ou nas serras, além de tipos especiais de vegetação não florestal como a "campina" sobre areia branca. Em uma escala menor, encontra-se habitats associados como paredões e campos rochosos, grotões úmidos e cachoeiras em meio à floresta serrana, "salões", lagos, pântanos e praias que são criados como resultado dos processos de erosão e deposição de sedimento pelos rios, junto à floresta da várzea.

Fatores ligados ao solo são os principais determinantes da existência de vários tipos de formações vegetais e habitats associados. Na bacia do Alto Juruá, pode ser encontrado um mosaico de diferentes tipos de solos: férteis ou pobres, argilosos (barrentos) ou arenosos, bem ou mal drenados, sujeitos ou não à inundação, etc.

Além da grande variação ambiental observada atualmente, uma das explicações para a geração e manutenção de tanta diversidade pode estar milhares de anos atrás (entre 2,5 milhões e 5.000 anos), numa época mais fria, durante os ciclos de glaciações nos trópicos. Nesses períodos o clima mais sêco determinou a fragmentação e redução das florestas tropicais às áreas mais úmidas em depressões e margens de rios. Na maior parte do continente sul-americano as florestas úmidas foram substituídas por floresta semi-decídua ou por savanas. Posteriormente, com o retorno a um clima mais quente e úmido, os pedaços de florestas isolados expandiram-se, ocupando o espaço com condições adequadas para seu estabelecimento.

Tudo isso ainda não é bem compreendido, mas sabe-se que esses fatos provocaram alterações na constituição genética de muitas das espécies existentes, surgindo outras novas. Uma das áreas em que teriam restado "ilhas"de floresta úmida é a região sudoeste da Amazônia, que inclui a bacia do Alto Juruá.

O Alto Juruá é uma região considerada como sendo de mais alta prioridade para conservação, mas não existem ainda planos consistentes para conciliar proteção e uso sustentado.

Um dos aspectos que tem fortes implicações nesse panorama é o desconhecimento da heterogeneidade, fragilidade e variedade de tipos de florestas e ambientes associados e ainda, das correlações existentes entre os ambientes e a distribuição das espécies.

Caracterização ambiental através de documentação em campo e inventários florísticos são ferramentas básicas para gerar informações sobre a ocorrência de espécies chaves e/ou raras, assim como suas preferências por certos habitats. Igualmente, podem indicar áreas que precisariam ser recuperadas e aquelas capazes de suportar atividades econômicas sustentáveis, e ainda outras que podem servir para o turismo de natureza (ou ecoturismo), contribuindo dessa forma para diminuir as limitações apresentadas pelas medidas conservacionistas.

 

Ferramentas e informações úteis para caracterização ambiental

Mapas em diversas escalas e imagens de satélite são ferramentas indispensáveis para documentar os tipos de florestas, sua distribuição, proximidade de centros urbanos, principais acessos, interferências naturais e humanas, e úteis para planejar a proteção e/ou o uso da área investigada.

Observações minuciosas no campo aliadas a entrevistas com moradores a respeito da área ou região em que vivem, sobre os tipos de vegetação reconhecidos, caracterizam outra fase do processo, tão importante quanto a primeira. Observações relativas ao solo, relevo, drenagem do solo, umidade atmosférica, luminosidade, fisionomia e estrutura da vegetação, formas de vida de espécies de animais e vegetais, complementam a descrição do ambiente e auxiliam na compreensão da organização e distribuição das formas na paisagem.

Usando como base os resultados dos trabalhos pioneiros de caracterização da vegetação, desenvolvidos pela equipe do projeto RADAMBRASIL, durante a década de 70, são registrados basicamente dez tipologias florestais na bacia, conforme o Quadro 1. Esses tipos foram definidos tendo por base a densidade da cobertura da floresta, a presença de certas formas de vida especiais e a agregação de informações topográficas, geológicas e edáficas (referente a solos). Com isso foi possível definir ou classificar por exemplo, as florestas densas e as florestas abertas, as florestas abertas com palmeiras, bambu e cipó, as florestas encontradas nas serras, as florestas inundadas ou as florestas encontradas apenas sobre um tipo especial de formação geológica.

Porém, na natureza as classes definidas de vegetação mostram uma grande variação interna, o que nos leva a propor uma organização das subdivisões de cada grande tipo de cobertura vegetal, que chamamos "ambientes".

 

Diversidade de ambientes

Na bacia do Alto Juruá, existe um predomínio de formações florestais, com pequena representatividade das não florestais (como as campinas).

A floresta densa (também chamada de restinga) é comumente encontrada nas planícies aluviais mais altas e não inundáveis pelos rios, formadas pela deposição relativamente antiga de sedimentos em áreas restritas da bacia. As florestas inundáveis ou várzeas, ocorrem ao longo dos rios por toda a bacia, e podem apresentar uma extensão impressionante. As florestas abertas de terra firme ou várzea na região são caracterizadas basicamente pela alta densidade de palmeiras e/ou bambu e cipós. A floresta densa serrana, com seus ambientes associados, é encontrada apenas na Serra do Divisor.

As campinas estão restritas à região do rio Humaitá, a algumas partes da RESEX do Alto Juruá e a região de Mâncio Lima.

A variação entre os ambientes (subdivisões nos habitats em cada formação) tem um papel extremamente importante nos processos ligados à distribuição e manutenção da diversidade. Pequenas diferenças topográficas ou edáficas originam micro-habitats que guardam grande interesse em função de conterem espécies de animais e plantas que ocorrem apenas nessas áreas reduzidas.

Certas formas de vida, como as ervas do solo e pequenos animais tem maior sensibilidade a estas variações, ocorrendo apenas em determinados ambientes, em função das suas adaptações aos micro-habitats. Nas grotas sombrias e úmidas da serras, por exemplo, são observadas espécies de Pteridófitas (samambaias) e Briófitas (musgos e grupos relacionados), entre outras plantas, que não ocorrem em nenhum outro lugar. Outras espécies de plantas e animais estão restritas à floresta "anã", nos topos das montanhas, aos "salões" e bancos de areia nas margens de rios, ou a certos locais na várzea.

Com tanta variação ambiental, podemos ter uma grande chance de que animais ou plantas que ocorrem num lugar não ocorram no outro, enquanto há espécies mais rústicas, que aparecem em vários tipos de ambiente, como o açaí, que está na várzea e na terra firme. Os porquinhos e as antas andam por toda a parte, mas o leãozinho da taboca, um pequeno macaco, só aparece na floresta aberta com bambu.

A Figura 1 apresenta um esboço com a organização dos ambientes observados na bacia do Alto Juruá, sendo útil tanto para a descrição das áreas, como para um planejamento em escala menor de atividades de pesquisa ou zoneamento. Foram incluídos ambientes cuja ocorrência tem evidências diretas a partir de visitas de vários pesquisadores à área ou indiretas, por meio de análise de imagens e informações da população local.

Somente no limite noroeste da bacia do Juruá, pode ser encontrada a Floresta densa submontana, que recebe este nome porque localiza-se sobre as encostas do complexo serrano do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), entre 100 e 600 m de altitude. Além da localização em ambiente peculiar, algumas características ecológicas distinguem esse tipo de floresta das demais existentes na região. O solo apresenta condições especiais, sendo extremamente arenoso e de profundidade reduzida, a drenagem é acentuada e existe afloramento de rochas, especialmente no cume das montanhas. A ocorrência de neblinas freqüentes principalmente nos períodos de junho e julho confere ao ambiente um caráter úmido e determina a ocorrência de uma significativa densidade e riqueza de epífitas (plantas que vivem sobre outras plantas, mas sem parasitá-las, como as orquídeas) e outras formas de vida.

Nos cumes das montanhas o solo pobre em nutrientes não permite a ocorrência de uma alta diversidade de organismos decompositores da matéria orgânica, o que determina a reduzida velocidade de decomposição. Isso é percebido pela existência de uma espessa camada de folhas e material em processo de decomposição, de até 1 m de espessura. A caminhada nos pontos mais altos é difícultada pela presença de pteridófitas invasoras em alguns casos, associadas a quantidade surpreendente de bromélias terrícolas cujas folhas grossas aproximam-se de 1,5 m de altura. Nesse ponto percebe-se uma diminuição na altura e na quantidade de árvores do andar principal da floresta (dossel), cuja altura em média é de apenas 5 m, sendo a floresta nesses locais chamada de floresta anã.

A exposição ao vento, as condições do solo, o acúmulo de matéria orgânica e a presença de vegetação invasora, são indicativos de que os topos são extremamente susceptíveis ao fogo, conforme observado em um dos cumes da Serra da Jaquirana, uma das serras que compõem o complexo serrano. Imagens de satélite mostram áreas de solo ou rocha nús nas partes mais altas do complexo da Serra do Divisor, podendo ser locais onde ocorreram queimadas naturais ou afloramentos de rocha, com grande chance de conter uma flora muito particular associada.

A composição florística da Floresta Densa Submontana abriga a maior parte dos elementos andinos presentes na região e diversas espécies com distribuição geográfica restrita às serras da Jaquirana, Moa, Juruá-mirim e Rio Branco. Esse fato pode ser explicado pela proximidade da cordilheira andina e pela similaridade entre o ambiente físico das serras do PNSD e da região subandina. O próprio isolamento das montanhas com seus ambientes particulares, pode ter gerado o isolamento de populações de espécies andinas e subandinas, que contribui para ocorrência de processos através dos quais se originam novas espécies (especiação).

A alternância de vales e montanhas, contribui para um aumento da diversidade de ambientes na região, podendo-se afirmar que ali ocorre a maior variedade de micro-ambientes e a maior variação da comunidade florestal ao longo de gradientes ambientais em todo a bacia do Juruá.

Nas encostas das montanhas são encontradas uma maior quantidade de árvores de maior porte do que aqueles observados nos cumes. As grotas sempre úmidas, comumente estão repletas de vegetação herbácea com espetacular variedade de samambaias, avencas, musgos e pequenos arbustos, que se fixam nas rochas e estão adaptados à alta umidade e baixa quantidade de luz. Ali são observadas samambaias com folhas coloridas de azul ou verde cintilante; há samambaias com 5 cm de altura ou arborescentes com 5 m e folhas com até 2 m.

A floresta na base das montanhas e no no fundo dos vales situa-se sobre solo com condições menos extremas do que nos cumes, ocasionando uma maior altura e densidade de árvores que formam o dossel e subosque (cobertura intermediária da floresta). A umidade atmosférica é maior do que na encosta ou no cume, em decorrência da proximidade dos cursos d’iacute;iacute;água, da menor exposição ao vento e menor drenagem. A ação conjunta desses fatores resulta em uma maior riqueza de arbustos e ervas, além de epífitas, acima dos padrões regionais já observados no Acre.

Associado à floresta montana, no "canyon" do rio Moa, existem os paredões rochosos com vegetação particular. Os mais úmidos estão repletos de vegetação herbácea, representadas por principalmente por samambaias e Cyclanthaceae e os arbustos e árvores crescem sobre as rochas quase sem qualquer condição de fixação no solo raso. Em paredões mais sêcos e mais iluminados, cresce uma vegetação diferente daquela observada sobre paredão úmido, com composição distinta.

Na região do Rio Ramón, próximo ao complexo serrano, mas sobre terreno inicialmente tabular, ocorre a Floresta densa. Keith Brown, pesquisador da Universidade de Campinas, indica este tipo de floresta como sendo de excepcional valor para conservação baseado na diversidade de borboletas (Lepidoptera).

Ali são encontradas árvores emergentes com até 40 m de altura, um dossel maior e uma ocorrência relativamente alta de epífitas, do que as outras florestas da região. As palmeiras também são consideradas um dos grupos de plantas mais representativas dessa fisionomia, podendo ser encontradas facilmente 24 palmeiras de 8 espécies diferentes em apenas 100 m2. Apenas para ilustrar o que representa isso, em florestas temperadas do hemisfério norte, é necessária uma área 100 vezes maior para ser ter representadas em média 15 espécies de árvores.

A ocorrência de grutas, cavernas e solos desenvolvidos sobre camadas calcáreas nas florestas de terra firme da região do rio Ramón, podem indicar a presença de flora específica. Sobre isso Bruce Nelson, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), comenta que no Perú, próximo do local onde ocorre esta floresta densa, existe uma vegetação particular, associada com formações calcáreas. No Acre este tipo de ambiente está representado aparentemente apenas no PNSD.

As Florestas de várzea existentes nos rios da bacia do Alto Juruá, apresentam-se como uma das formações florestais mais perturbadas e suscetíveis a perturbação na região, em função de ações antrópicas de diferentes escalas como desmatamento para instalação de roçados, retirada de folhas de palmeira e madeira para uso doméstico, presença de porcos e extração seletiva de madeira para comercialização.

Este tipo de floresta e ambientes associados como lagos, praias e pântanos, estão estreitamente relacionados a dinâmica dos rios, fortemente meândricos ou trançados, e instáveis. A instabilidade é provocada pela erosão pelo próprio rio, que com o passar dos anos força o movimento do canal principal.

Nesse processo o rio erode o lado externo de uma curva retirando a cobertura vegetal e o solo e deposita sedimentos no lado interno, dando origem comumente, às praias. Esse processo se repete anualmente com o aumento e diminuição no volume das águas e tem fortes implicações sobre a paisagem das áreas sujeitas a inundação, criando um mosaico de diferentes tipos de vegetação que se sucedem no espaço e no tempo.

Algumas espécies animais (e.g. algumas aves aquáticas) podem ser exclusivas das formações pioneiras em sedimentos recentes (praias).

As praias são utilizadas pelas comunidades ribeirinhas para cultivo de arroz, milho, melancia, jerimum e amendoim principalmente, e revelam feições diversas, predominando uma vegetação herbáceo-arbustiva. A deposição dos sedimentos é anual e nos depósitos mais recentes e próximos da água, há um tipo de vegetação envolvendo grupamentos puros ou quase puros de algumas espécies arbustivas que se reproduzem predominantemente por brotamento. Nos depósitos mais antigos, normalmente um pouco mais distantes do curso normal do rio, observamos vegetação mais desenvolvida, com as mesmas espécies ou acrescidas de algumas outras.

Em áreas que também são alagadas, mas localizadas sobre solo mais desenvolvido, ocorre uma quantidade maior de indivíduos arbóreos, sendo possível perceber o desenvolvimento de uma formação mais densa do que as observadas nas praias. Sob esse grupamento, com o tempo vão sendo incorporados outras plantas, configurando uma estrutura mais complexa e propriamente florestal.

A altura dos depósitos e a idade dos terraços cria uma diferenciação com relação às freqüências e duração das cheias, com reflexos na composição florística. Os baixios são locais onde ocorrem inundações temporárias e períodicas, que permitem a ocorrência de espécies adaptadas a estas condições, como alguns grupos de palmeiras e em alguns casos, de bambu, como observado em alguns afluentes do Rio Juruá, como, Ouro Preto, Aparição, Minas, Juruá-mirim, Tejo, entre outros. Nos pontos mais altos e menos atingidos pelas enchentes, a floresta é dominada por árvores e algumas pelo menos três espécies de palmeiras.

Ao longo de rios maiores como o Juruá e Tarauacá, observa-se cursos de rio abandonados (braço do rio), que guardam uma relação direta com os rios. Nos braços abandonados originam-se lagos de diferentes tamanhos e profundidades. O tipo de ligação entre lago e rio determina o isolamento total ou parcial, a velocidade de ocupação do ambiente aquático pelas plantas e a forma como ocorre a colonização, que também depende de como os lagos se enchem de sedimentos com o tempo.

Lagos fechados e que recebem material das áreas adjacentes são passíveis de serem ocupados por vegetação terrestre enquanto que lagos abertos, ainda ligados ao rio, desenvolvem vegetação aquática. Algumas plantas herbáceas flutuantes como Azolla e Pistia, típicas de ambientes lacustres, são observadas flutuando nos rios durante o período das cheias, indicando a existência de lagos sendo inundados.

Os lagos são frequentemente utilizados para pesca pelos ribeirinhos, índios e seringueiros e são pouco conhecidos do ponto de vista florístico, devido a pequena quantidade de coletadas botânicas realizada nesse tipo de ambiente.

Em áreas pobremente drenadas desenvolvem-se os pântanos, também até o momento pobremente conhecidos. Em alguns casos, os pântanos originam-se a partir de lagos que são ocupados por vegetação herbácea, predominantemente gramíneas aquáticas. Inundações esporádicas determinam a ocorrência de uma vegetação herbácea inicial que gradativamente cede lugar para uma vegetação arbustiva, em alguns anos. Este tipo de vegetação pode desenvolver-se e ser substituida por uma vegetação arborescente, originando pântanos arborescentes.

Na Volta da Aurora, no Rio Moa, existe uma vegetação singular, sempre inundada por águas com pouco material em suspensão, composta predominantemente por Apuís (Ficus), Buritis e manchas de Sororoca (Heliconia). O Apuí desenvolveu mecanismos internos que permitem sua sobrevivência em ambientes permanente ou temporariamente alagados. Enormes raízes originadas do tronco e galhos (raízes adventícias) crescem em direção ao solo, como uma adaptação relacionada a fixação, sendo até mesmo possível passar por debaixo com um bote.

Os salões são micro-habitats encontrados freqüentemente na bacia do Alto Juruá, ao longo de alguns afluentes relativamente estreitos como o . Configuram-se como pequenos barrancos e "mesas" estreitas, estas sazonalmente inundadas, onde o solo tem uma camada superficial ou subsuperficial dura e quebradiça, e condiciona uma vegetação pouco desenvolvida, sem árvores.

Algumas vêzes observa-se cachoeiras efêmeras com água cristalina nas reentrâncias formadas pela erosão nos barrancos. Nesses locais facilmente ressoam vozes ou o ruído de motores de barcos que, segundo os ribeirinhos, assemelha-se ao eco ouvido em grandes salões de edifícios ou casas, sendo essa a razão do nome dado a esse local.

Embora os ambientes inundáveis estejam sujeitos a ação antrópica mais do que demais ambientes observados na bacia, eles são os que menos apresentam espécies de plantas exclusivas ou raras.

A Floresta de palmeiras abrange várias feições de vegetação, que são bem distribuídas por toda a bacia, incluindo a região do Alto Juruá. Normalmente a forte presença de palmeiras indica condições úmidas no ambiente e determinadas espécies são indicadoras de outras variáveis ambientais.

Sobre terraços altos no Alto Juruá, pode ser encontrado um tipo de floresta, com dossel apresentando em média 30 m de altura, interrompido pela presença frequente de clareiras. A presença de colinas e pequenos igarapés, numa escala menor, tornam menos homogênea a superfície, provavelmente contribuindo para aumentar a diversidade. As epífitas não são tão comuns, e boa porção da diversidade vegetal pode estar concentrada, além das árvores e escassos cipós grandes, nos cipós pequenos, bastante comuns, no estrato denso herbáceo-arbustivo e nas palmeiras pequenas.

Dentro da floresta de palmeiras podemos encontrar um tipo particular de ambiente, chamado na região de babocal. De acordo com os seringueiros, o babocal é encontrado somente em áreas onde os solos são pouco permeáveis o que permite o acúmulo de água durante o período chuvoso. Ali são encontradas plantas adaptadas a solos encharcados, podendo ser observadas algumas espécies que também ocorrem na várzea.

A floresta de palmeiras sobre a formação Solimões apresenta o maior número de espécies de palmeiras já encontrados no Acre e uma diversificação ambiental ligada ao micro-relevo. As palmeiras funcionam como excelentes indicadores dos vários micro-habitats existentes, como vemos através da Tabela 1. Há palmeiras que ocupam as áreas mais elevadas, bem drenadas, e outras que vivem nas áreas úmidas dos baixios.

Na região de Manaus, pesquisadores investigaram populações de palmeiras do cume de um morro até o fundo do vale, e concluiram que em solos bem drenados a vegetação é formada por palmeiras arborescentes que não alcançam o estrato superior da floresta. As palmeiras arborescentes que brotam formando touceiras (cespitosas) estão ausentes e existe uma alta diversidade de palmeiras abaixo de 10 m. Em solos inundados durante a estação chuvosa, são comuns as palmeiras arborescentes que alcançam até 30 m de altura e palmeiras arborescentes cespitosas, e a diversidade abaixo dos 10 m é menor do que nas áreas bem drenadas.

Como se percebe, a ocorrência de populações de palmeiras em solos bem drenados em florestas de terra firme, depende estreitamente da declividade, que por sua vez determina a drenagem lateral do solo e, da arquitetura florestal, ambas relacionadas com a topografia.

A Floresta de bambu ou "tabocal" como é chamada no Acre, é caracterizada pela ocorrência de bambus do gênero Guadua, e ocorre em várias partes da bacia, desde Tarauacá até o Juruá e seus principais afluentes, penetrando pelo Perú na região de Pucallpa, tanto em várzea como em terra firme. Guadua superba é encontrada somente em ambientes sujeitos a inundação, nas margens de alguns rios como no alto Juruá-mirim enquanto que Guadua sarcocarpa, apresenta distribuição mais ampla, em terra firme.

Os tabocais de terra firme no Alto Juruá tem o subosque dominado principalmente pelo bambu, que às vezes também alcança o dossel de até 25 m de altura, apresenta alta densidade de colmos (caule dos bambus) e pequenas árvores, dossel ralo, árvores grandes espaçadas entre si, clareiras frequentes, cipós e epífitas raros.

O crescimento rápido dos colmos na sua fase inicial de desenvolvimento é da ordem de alguns centímetros por dia, acima de tudo no período mais chuvoso, quando em apenas 3-4 meses, um broto jovem pode tornar-se um colmo plenamente desenvolvido com todas as folhas. Os colmos e ramos são repletos de espinhos, os quais, especificamente no caso de Guadua superba, formam uma rede impenetrável que atingem até seis metros de comprimento.

A época da produção maciça de frutos da taboca, um pequeno "arroz", é um período de fartura para muitos animais como veado, porquinho, paca, tatu, jacu, nambu e outras aves. Essa época é muito bem aproveitada pelas comunidades locais que tem a oportunidade de caçar animais mais gordos do que em outros períodos.

A presença do bambu em áreas de floresta onde ocorre a seringueira consiste em um problema para índios e seringueiros que trabalham na coleta do látex. Os colmos distribuem-se pela floresta mas também cobrem a estrada de seringa, uma trilha utilizada diariamente para o deslocamento, e tem que ser escorados ou arduamente cortados, para não oferecer riscos e dificultar ou impedir a passagem.

Uma das peculiaridades desses bambus é a mortalidade maciça, logo após o florescimento e a frutificação. Os colmos, ramos e folhas mortos caem e quebram-se, conferindo ao ambiente um aspecto onde são observadas poucas árvores grandes distantes umas das outras e uma alta densidade de cipós, arbustos e pequenas árvores. Com a mortalidade o acúmulo de matéria morta aumenta drasticamente, implicando em alterações na dinâmica de nutrientes e tornando a área mais suscetível ao fogo, o que pode favorecer o restabelecimento do tabocal.

O colapso e o reestabelecimento da floresta de bambu gera alterações significativas na manutenção da comunidade vegetal e animal associada. A comunidade animal pode ser afetada, já que o tabocal é visitado e, em alguns casos, é o habitat exclusivo de certas espécies de aves e os colmos oferecem abrigo para as larvas de mosquitos, besouros, rãs, formigas, entre outros animais, sendo provável a ocorrência de migrações e/ou mortalidade. Durante a mortalidade há uma maior deposição de matéria orgânica no solo e liberação de espaço e maior penetração de luz, favorecendo as plantas que estavam suprimidas pelo bambu.

Florestas dominadas por uma ou poucas espécies vegetais (florestas mono-dominantes), normalmente estão relacionadas com condições ambientais extremas, mas isso ainda não foi revelado para os tabocais no oeste da Amazônia. As demais florestas mono-dominantes tem relativamente baixo valor para conservação, mas este não é o caso das florestas de bambu.

Ao contrário, entre os sete tipos de florestas já estudados na bacia, a floresta de bambu, está entre aquelas que apresentaram o maior número de espécies de árvores. Também em tabocais no sul do Acre (na região de Rio Branco) tem sido registrada essa riqueza. Aliás, trabalhos realizados no Parque Nacional de Manu, e outras partes do Perú revelam adaptações entre pássaros e esse tipo de ambiente, e também a descoberta de novas espécies de anfíbios, insetos e ratos.

Os colmos dos bambus são utilizados para confecção de flechas e instrumentos musicais por algumas comunidades indígenas, construção de parede e piso de casas como no caso de G. superba, que tem colmos com quase 30 cm de diâmetro, e até mesmo como medicamento.

A Campina é um tipo de vegetação com ocorrência restrita a regiões onde há solos mal drenados devido a superficialidade do lençol freático, formados por areia branca e quartzosa, pobres em nutrientes. As campinas constituem-se em um claro exemplo da influência das características e propriedades do solo sobre a vegetação, que pode se apresentar como uma formação arbustiva com manchas de solo nu ou até um tipo de floresta baixa e densa, com árvores finas.

Incomum no Acre, as campinas (ou caatingas do rio Negro) ocorrem mais freqüentemente na região do rio Negro (AM) e em algumas localidades no rio Madeira, Mato Grosso, Venezuela, Colômbia, Equador, rio Ucayali e arredores de Iquitos, no Peru.

Até o momento, são conhecidas no Acre, apenas três áreas com estas formações, todas na bacia do Alto Juruá: ao noroeste de Mâncio Lima; arredores da Serra do Moa; e subindo o igarapé Humaitá, frente a Porto Valter.

Em campinas abertas há espécies que apresentam folhas coriáceas e grossas e tortuosidade de ramos, assemelhando-se à vegetação encontrada no cerrado, ou quando apresenta porte um pouco mais alto e dossel fechado, lembra a fisionomia das formações litorâneas próximas à praia (Restingas), associadas à Floresta Atlântica.

Subindo cerca de 3,5 horas de canoa pelo Igarapé Humaitá (afluente do Alto Juruá em frente a Porto Walther), o botânico C. A. Cid Ferreira do INPA, visitou pela primeira vez em 1992 a campina que ali ocorre, e relatou que a vegetação é composta principalmente por ervas, arbustos, indivíduos espalhados de buriti (Mauritia flexuosa) e árvores pequenas.

Em 1993, na região de Mâncio Lima foi observada uma área de campina relativamente baixa, com algumas poucas árvores atingindo 15 m de altura, fisionomicamente similar ao "varillal", encontrado no Perú. Nessa campina o solo é encharcado devido a superficialidade do lençol freático, há uma grande quantidade de raízes superficiais finas que, juntamente com a matéria orgânica em decomposição, forma uma compacta e flexível trama de até 20 cm de espessura, que torna o chão fofo.

Os ambientes ocorrentes na bacia do Juruá variam entre si quanto ao tamanho, composição florística, dinâmica e interferência natural e antrópica, e uma descrição minuciosa de cada um deles poderia tomar muitos anos de trabalho. Reconhecer as suas características principais, seu papel na geração e manutenção do imenso estoque de diversidade biológica e tratá-los como unidades independentes no planejamento de atividades de conservação e manejo já é um grande passo no objetivo de assegurar a manutenção dos seus recursos naturais.

 

Diversidade de espécies arbóreas: exemplos dos Seringais São João e Restauração.

As florestas da Amazônia são conhecidas por abrigarem mais tipos de plantas, principalmente árvores, do que as do resto do Brasil (excetuando-se apenas as da costa atlântica). Com relação às da bacia do Juruá, podemos dizer que estão entre as mais ricas da Amazônia.

Na RESEX do Alto Juruá, em uma área de 10 x 1000 m no Seringal São João e de 20 x 500 m no Seringal Restauração, contamos, medimos e identificamos todas as árvores com mais de 10 cm de diâmetro à altura do peito (DAP). Dessa forma, além de limitar o trabalho esse é um método que permite comparação com outros inventários. Na tabela 2 é possível visualizar quantas espécies de árvores foram encontradas a partir do uso dessa metodologia em vários locais da América do Sul.

No seringal Restauração foram encontradas árvores pertencentes a 176 espécies diferentes, e no seringal São João, 198.

Como podemos ter tantas espécies ? Por uma questão de espaço, se há tantas espécies, cada uma delas não pode ter muitos representantes. Logo, deveremos encontrar muitas espécies representadas por apenas uma ou com poucas árvores na área. Através da Figura 2 é verifica-se como se comportaram as duas áreas estudadas no seringal.

Se a maioria das espécies tem poucos indivíduos, para termos um estoque razoável delas é preciso uma grande área. Isso tem uma importância muito grande para o uso correto da floresta. Temos algumas espécies comuns, que são mais fáceis de serem utilizadas pelo homem sem que haja sérios riscos à sobrevivência da espécie, como o açaí (Euterpe precatoria), e as raras (em alguns casos formando grupos com grande distância entre si), com as quais é preciso muito cuidado, como o aguano ou mógno (Swietenia macrophylla). Muitas espécies não foram incluídas nas áreas de um hectare que foram estudadas. Isso acontece porque estas espécies não são comuns, e nenhum indivíduo estava na área amostrada. Existem notícias de inventários de 50ha em que ainda apareceram espécies com um só indivíduo (portanto são muito raras).

Por outro lado, quanto mais área mais espécies aparecerão. Podemos ver na Figura 3 que quanto mais se aumenta o número de árvores contadas em um inventário (no Parque Nacional da Serra do Divisor), mais espécies temos.

Ninguém sabe ainda quantas espécies há na bacia do Alto Juruá, mas com certeza nos inventários só encontramos uma fração delas, provavelmente menos de 10%.

E quem são as árvores que fazem parte da floresta no Seringal ? Contando as espécies no inventário do Seringal Restauração, notamos que mais ou menos metade das espécies (44%) são de pequenas árvores que vivem sob as outras, no subosque. Cerca de 48% são árvores grandes que formam o dossel. Uma pequena parte (3% neste levantamento) é formada por espécies de árvores muito grandes, que ficam acima de todas as outras, chamadas de emergentes, como as samaúmas (Ceiba pentandra) ou as diferentes espécies de apuí (Ficus). Foram vistas ainda 5% de espécies que não são árvores, mas cipós grandes. No Seringal São João a situação é parecida.

Podemos perguntar: por que há tantas espécies no estrato inferior? Uma boa resposta pode ser encontrada na "arquitetura" da floresta, que não é chamada "Floresta Aberta" à toa. Assim, pelo dossel ralo penetra mais luz, que permite ao estrato inferior de desenvolver mais do que nas florestas da região de Manaus, por exemplo.

Por meio das informações dos inventários também podemos ver por que a floresta é chamada de "Aberta com Palmeiras". No Seringal Restauração ocorreram 7 espécies de palmeiras, e em São João 9, sendo que 5 (murumuru, açaí, patoá, bacaba e paxiubão) ocorreram em ambos. Várias outras espécies, nos dois locais devem ter ficado de fora desta amostragem. Das 509 árvores, palmeiras e cipós encontrados em 1 ha em Restauração, 248 (48%) pertencem a só dez espécies, e as cinco espécies mais comuns somam 180 indivíduos (35%). As 3 espécies mais abundantes são palmeiras, e somam 129 indivíduos ou 25% do total.

No seringal São João, as dez espécies mais abundantes retém 35% dos indivíduos, as cinco mais abundantes 22% , estando portanto o número de indivíduos mais bem distribuído entre as espécies do que na Restauração, sendo encontrado ali, 13% mais espécies do que em São João.

Aqui as três palmeiras mais abundantes somam apenas 11% dos indivíduos contra 25% em Restauração.

Como até agora só falamos de árvores, é preciso dizer que elas são só uma parte da diversidade. Há ainda uma imensa variedade de espécies de arbustos, ervas, cipós, pequenas palmeiras e epífitas que somam juntas muito mais do que as árvores, e são igualmente importantes.

 

Importância para conservação

O número total e a área dos habitats, assim como a ocorrência e distribuição das espécies, são úteis para os processos de ordenamento e tem especial interesse para o manejo e a conservação.

As espécies podem ser enquadrados em categorias, quanto à sua abundância, ao papel que representam para o funcionamento dos ecossistemas, e a sua susceptibilidade a perturbações naturais ou de origem humana (desmatamento, exploração seletiva).

Também é possível atribuir valores aos habitats tendo por base o tamanho, diversidade, fragilidade, funcionamento e potencial de uso.

Para a definição de estratégias para o manejo e a conservação na bacia do Alto Juruá é preciso considerar alguns fatores: a degradação ambiental acelerada, a necessidade urgente de avaliações sobre os habitats, e ao mesmo tempo a existência de unidades de conservação (um Parque Nacional e reservas indígenas e extrativista).

Nenhuma estratégia voltada para o uso dos recursos naturais será sustentável se não incluir esta preocupação no seu planejamento e execução. E não ser sustentável significa que o bem-estar das próximas gerações nas comunidades locais não estará garantido.

 

Bibliografia citada

Balée, W. 1987. Etnobotânica quantitativa dos índios Tembé (Rio Gurupi, Pará). Bol. Mus. Paraense Emílio Goeldi 3(1):29-50.

Ballé, W. & Campbell, D.G. 1990. Evidence for the sucessional status of liana forest (Xingu river basin, Amazonian Brazil). Biotropica 22(1):36-47.

Faber-Langendoen, D. & Gentry, A. H. 1991. The structure and diversity of rain forest at Bajo Calima, Chocó region, western Colombia. Biotropica 23(1):2-11.

Gentry, A.H. 1988a. Changes in plant community diversity and floristic composition on geographycal and environmental gradients. Ann. Mo. Bot. Gard. 75:1-34.

Gentry, A.H. 1988b. Tree species richness of upper Amazonian forests. Proc. Nat. Acad. Sci. USA. 85:156-159.

Gentry, A. H. 1990. Four Neotropical Rainforests. Yale University Press. New Haven.

Korning, J., Thomsen, K. & Ollgaard, B. 1991. Composition and structure of a species rich Amazonian rain forest obtained by two different sample methods. Nord. J. Bot. 11:103-110.

Lisbôa, P.L.B. 1990. Rondônia, Colonização e Floresta. Programa Polonoroeste. Relatório de Pesquisa no 9, 216p.

Milliken, W.; Miller, R. P.; Pollard, S. R. & Wndelli, E. 1992. Ethnobotany of the Waimiri Atroari indians of Brazil. Royal Botanical Gardens. Kew.

Oliveira, A. A. 1997. Diversidade, estrutura e dinâmica do componente arbóreo de uma floresta de terra firme de Manaus, Amazonas. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 187p.

Prance, G.T; Rodrigues, W.A. & Silva, M.F. 1976. Inventário florestal de um hectare de mata de terra firme Km 30 da estrada Manaus-Itacoatiara. Acta Amazônica 6:9-35.

Salomão, R.P. & Lisboa, P.L.B. 1988. Análise ecológica da vegetação de uma floresta pluvial tropical de terra firme, Rondônia. Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi, sér. Bot. 4(2):194-233.

Salomão, R. P.; Silva, M. F. F. & Rosa, N. A. 1988. Inventário ecológico em floresta pluvial tropical de terra firme, Serra Norte, Carajás, Pará. Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi 4(1):1-46.

Silva, M. F. & Rosa, N. A. 1989. Análise do estrato arbóreo da vegetação sobre jazidas de cobre na Serra dos Carajás-PA. Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi 5(2):175-205.

 

Silva, M. F. F.; Rosa, N. A. & Oliveira, J. 1986. Estudo botânico na área do projeto ferro Carajás. 3. Aspectos florísticos da mata do aeroporto da Serra Norte-PA. Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi 2(2):169-187.

Silveira, M. & Torezan, J. M. D. 1997. Relatório técnico sobre a vegetação do Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre. Não publicado.

Valencia, R.; Balslev, H. & Paz y Miño, G. C. 1994. High tree alpha-diversity in Amazonian Ecuador. Biodiv. Conserv. 3:21-28.

 

 

Quadro 1- Tipologias florestais encontradas na bacia do Alto Juruá, conforme projeto RADAMBRASIL (Veloso, 1974).

Código

Descrição

1

Floresta densa nas serras

2

Floresta densa nos interflúvios colinosos

3

Floresta densa nos interflúvios tabulares

4

Floresta aluvial

5

Floresta aberta com palmeiras em terraços altos

6

Floresta aberta sobre material coluvionar da base das serras

7

Floresta aberta com palmeiras sobre a formação Solimões

8

Floresta aberta com bambu

9

Floresta aberta com palmeiras com bambu dominado

10

Floresta aberta de cipós, subordinadamente aberta de palmeiras

 

 

 

Figura 1 - Esboço da organização dos ambientes, principais e associados, na bacia do Alto Juruá. Cores iguais no mesmo ramo indicam divisões de mesmo nível e cores diferentes, divisões subordinadas. Exemplo: Floresta aberta na planície aluvial pode ser "com cipó", "com bambu" ou "com palmeiras". Apenas a floresta aberta com palmeiras admite ainda três divisões: sobre a formação solimões, sobre terraços altos e os buritizais.

Tabela 1 - Lista das algumas palmeiras amostradas no inventário de 1 ha, realizados em floresta aberta de palmeiras na região dos Rios Azul e Juruá e suas indicações quanto a preferências ambientais.

Nome científico

Nome vulgar

Ambiente

Aphandra natalia (Balslev & A.J. Hend.) Barfod.

piaçava

A/S

Astrocaryum murumuru Mart.

murmuru

A/D

Astrocaryum sp.

murmuru da casca grossa

A/D

Attalea sp1.

ouricuri

A/D

Attalea sp2

jaci

A/D

Euterpe precatoria Mart.

açai

A/S

Iriartea deltoidea Ruiz et Pavón

paxiubão

B/D

Lepidocaryum tenue Mart.

chila = caranaí

A/S

Oenocarpus bataua Mart.

patauá

B/D

Oenocarpus mapora H. Karst.

bacaba

A/S

Phytelephas macrocarpa Ruiz et Pavón

jarina

A/S

Socratea exorrhiza (Mart.) H. Wendl.

paxiubinha

B/S

A - áreas altas; B - baixios, D - dossel, S - subosque.

Tabela 2 - Número de indivíduos e espécies amostradas em inventários realizados no Brasil, Peru, Colombia e Equador, utilizando unidade amostral de 1 ha e critério de inclusão DAP ³ 10cm, exceto quando indicado.

Localidade

indivíduos

espécies

referência

Brasil

PNSD, Mâncio Lima, AC

Silveira & Torezan 1997

Floresta densa na serra do Moa

309

121

idem

Floresta densa nos interflúvios tabulares (rio Ramón)

563

155

idem

Floresta aluvial (Rio Moa)

594

156

idem

Floresta aberta com palmeiras sobre formação Solimões (Rio Azul)

582

170

idem

Floresta aberta com bambu (Rio Branco) A

287

136

idem

Floresta aberta com palmeiras em tarraços altos (Rio da Minas)

591

188

idem

Floresta aberta com palmeiras sobre formação Solimões (Rio Juruá)

535

180

idem

RESEX Alto Juruá

Seringal São João

534

198

Seringal Restauração

507

176

.

Ji-Paraná, RO B

564

164

Salomão & Lisboa, 1988

Suleste de RO, RO B

----

128

Lisboa, 1990

Carajás, PA

484

122

Salomão et al, 1988

Carajás, PA B

516

125

Silva et al, 1986

Carajás, PA B

552, 470

119, 121

Silva e Rosa 1989

Rio Gurupi, PA

456

138

Balée, 1987

Rio Xingu, PA

441, 464

142, 137

Balée & Campbell, 1990

Manaus, AM

350

179

Prance et al, 1976

Manaus, AM

----

200

Gentry, 1988a

Manaus, AM

618,654, 644

285, 280, 280

Oliveira, 1997

Maré, AM

643

201

Milliken et al, 1992

Peru

Manú

Gentry, 1988b

Mishana

842

275

Yanamono

580

283

Cocha Cashu

650

189

Cabeza de Mono

520

169

Tambopata - aluvial

526

155

Tambopata - terra firme

585

168

Iquitos

----

280

Gentry, 1988a ; 1990

Colombia

Chocó

675

258

Faber-Langendoen & Gentry, 1991

Equador

Cuyabeno

693

307

Valencia et al, 1994

Rio Napo

734

153

Korning, 1991

A unidade amostral de 0,5 ha

B critério de inclusão utilizado: CAP ³ 30 cm (aproximadamente DAP ³ 9.5 cm)

Figura 2 - Distribuição de abundância de espécies de árvores em 2 inventários de 1 ha (Seringais São João e Restauração).

 

 

Figura 3 - Relação entre o número de indivíduos e o número de espécies amostrados em um inventário de 1 ha, no Parque Nacional da Serra do Divisor em Floresta aberta com Palmeiras.


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