MANUAL DAS PALMEIRAS DO ACRE, BRASIL
MANUAL OF THE PALMS OF ACRE, BRAZIL
Evandro Linhares Ferreira
Instituto Nacional de Pesquisas/Universidade Federal do Acre
AIPHANES Willd.
PORTE: palmeira monóica, fortemente espinhosa, de pequeno a médio porte. ESTIPE: cespitoso ou solitário, aéreo e ereto ou curto e subterrâneo. FOLHAS: pinadas, reduplicadas, bainha, pecíolo e raque com espinhos; bainha aberta e não formando pseudo-caule; pecíolo curto a mediano; raque longa; pinas lanceoladas a obtriangular com o ápice mais largo, premorso; regular ou irregularmente dispostas, ocasionalmente folha inteira. INFLORESCÊNCIA: intrafoliar, espinhenta e alongada; flores masculinas e femininas na mesma inflorescência; pedúnculo originando um profilo e uma bráctea peduncular; raque originando muitas raquilas simples, raramente ramificadas, ou ocasionalmente inflorescência espigada. FLORES: nascendo em tríades; flores estaminadas com 3 sépalas e 3 pétalas, 6 estames; pistilódio pequeno; flores pistiladas com 3 sépalas e 3 pétalas, estaminódios desenvolvidos, dentado; gineceu sincárpico, trilocular e triovulado. FRUTOS: forma globosa ou elipsóide; resíduo estigmático apical; epicarpo liso, vermelho quando maduro. SEMENTES: 1 por fruto; endosperma homogêneo; embrião lateral; germinação adjacente-ligular. PRIMEIRA FOLHA: inteira, com o ápice levemente bífido.
Referência: Borchsenius & Bernal (in press).
Gênero de 22 espécies, com distribuição concentrada na região Andina da América do Sul, especialmente na Colombia (Borchsenius & Bernal, in press). Também pode ser encontrada em Trinidad (Antilhas) e Panamá. Na bacia Amazônica crescem 4 espécies (Henderson, in press), 2 das quais no Acre: A. aculeata e A. ulei.
CHAVE PARA AS ESPéCIES DE AIPHANES
1. Pinas com ápice enlarguecendo abruptamente, bilobado com um dos lobos filiforme; infrutescência pêndula; raquilas livres basalmente; frutos de 2.5cm de diâmetro......... 1. A. aculeata
1. Pinas com ápice enlarguecendo gradualmente, bilobado com lobos uniformes; infrutescência ereta; raquilas unidas basalmente na raque; frutos com 6mm de diâmetro................... 2. A. ulei
1. Aiphanes aculeata Willd.
Sinonímias: [Euterpe aculeata (Willd.) Spreng.; Martinezia aculeata (Willd.) Klotzsch; Martinezia aiphanes Mart.; Marara aculeata (Willd.) H. Karst.; Caryota horrida Jacq.; Aiphanes horrida (Jacq.) Burret]. [Martinezia caryotaefolia Kunth; Marara caryotifolia (Kunth) H. Wendl.; Aiphanes caryotifolia (Kunth) Wendl.]. [Martinezia ernesti Burret; Aiphanes ernesti (Burret) Burret; Martinezia ulei Dammer (1915)]. [Bactris praemorsa Poepp. ex Mart.; Aiphanes praemorsa (Poepp. ex Mart.) Burret]. [Aiphanes orinocensis Burret].
Nomes vulgares: "Pupunha brava", "Pupunha", "Pupuinha"
ESTIPE: solitário, ereto, 3.3-4m de comprimento e 4-10cm de diâmetro, fortemente armado com espinhos negros de até 7cm de comprimento nos entre-nós. FOLHAS: 9-10; bainha 12-26cm de comprimento; pecíolo 52-57cm de comprimento; bainha e pecíolo podem apresentar espinhos negros com até 19cm de comprimento apontados em várias direções; raque 1.5-2.3m de comprimento; 14-23 pinas, arranjadas em grupos de 3-4-5, obtriangulares, com o ápice abruptamente enlarguecido, premorso-bilobado, um dos lobos longo-filiforme, pequenos espinhos nas margens, pina apical mais larga que as demais, com 3-4 nervuras proeminentes abaxial e adaxialmente, as medianas com 23-43cm de comprimento e 3-5cm de largura. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, ereta na antese e pêndula com frutos; pedúnculo alongado, com 1.87-2.3m de comprimento, usualmente com espinhos; profilo 60cm de comprimento, escasssamente marrom-tomentoso; bráctea peduncular 1.75cm de comprimento, marrom-tomentosa, com minúsculos espinhos negros e macios; raque 46-61cm de comprimento, usualmente glabra; raquilas numerosas, as basais com até 25cm de comprimento, as apicais com 12cm.
FLORES: em tríades, espaçadamente arranjadas na base das raquilas, com flores masculinas solitárias ou em pares apicalmente; flores estaminadas com 6mm de comprimento, 3 sépalas brevemente unidas basalmente, triangulares com ápice longo e estreito; 3 pétalas lanceoladas, valvadas; pistilódio curto; flores pistiladas com 3 sépalas obovadas, com ápice truncado, 3 pétalas deltadas, valvadas. FRUTOS: 2-2.5cm de diâmetro; forma globosa; epicarpo de cor avermelhado quando maduro.
Amplamente distribuída na bacia Amazônica, incluindo Colombia, Venezuela, Peru (Cusco, Huanuco, Madre de Dios), Bolívia (La Paz, Pando, Santa Cruz) e Brasil (Acre e Amazonas). No Acre pode ser encontrada tanto no Vale do Juruá (Thaumaturgo e Mâncio Lima) como no Vale do Acre (Rio Branco e Xapurí).
HABITAT E ECOLOGIA
Cresce tanto em florestas virgens como secundárias. Acreditamos que no vale do Acre seja uma espécie relativamente rara, com padrão de distribuição lembrando muito o de Chamaedorea angustisecta.
Embora seja conhecida entre os habitantes do interior como "pupunha", é uma espécie bem distinta desta última, podendo facilmente ser distinguida pelo seu hábito solitário, o estipe com diâmetro visivelmente inferior, as folhas com pinas enlarguecendo em direção ao ápice premorso, e, principalmente, a infrutescência intrafoliar, espigada, longa, pêndula e com numerosos frutos avermelhados.
Listabarth (1992), estudou a estratégia de polinização da espécie no Peru, onde parece ser abundante em áreas pertubadas e em margens de rios. A inflorescência é protándrica e a polinização pelo vento parece ter um papel muito importante, junto com a provável polinização entomológica.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre:
a) Frutos:
Os frutos amadurecem entre dezembro e março. Costumam cair quando atingem o ponto ideal de consumo "in natura", momento em que sua cor é vermelho-vivo e a casca, fina e brilhante, pode ser facilmente separada da polpa. Os habitantes do interior também costumam consumir o endosperma depois de "torrá-lo", quando então adquirem um sabor "exótico", lembrando um pouco baunilha.
Em 1991 foram coletados cerca de 5kg de frutos maduros no plantio experimental do INPA, localizado na Fazenda Catuaba/UFAC (km 23 da BR-364) e realizada uma tentativa de extrair rápida e higienicamente polpa concentrada com a mesma máquina usada para processar "Açaí" (Euterpe sp.). O tamanho dos frutos, mais ou menos equivalentes, facilitou a adapatação ao equipamento, sendo mais fácil a obtenção do produto final pelo fato de que a polpa madura é seca, algo farinhenta, e macia, não necessitando de aquecimento prévio. Foram necessários menos de 3 minutos para processar os 5kg. A maior ou menor concentração da polpa pode ser controlada pela adição de água durante o processo. O maior problema que verificamos foi a rápida tendência à flutuação (ou sedimentação) da polpa quando foi adicionada água visando a elaboração de "refresco". Problemas à parte, o sabor é agradável e o aspecto amarelado-alaranjado que o mesmo adquire é bastante atraente.
Na mesma oportunidade foram extraídos endospermas das sementes visando testar a viabilidade da produção de "paçoca" caseira, similar à elaborada com "castanha de "Cajú" (Anarcadium ocidentalum). Depois de despolpadas e bem lavadas, as sementes foram colocadas em estufas elétricas a 100° C durante 1h; retiradas e imediatamente imersas em água fria por cerca de 5 minutos visando forçar a separação da amêndoa e casca, por choque térmico e expansão-turgidez-da casca, em processo análogo ao adotado para "Castanha do Brasil" (Bertholletia excelsa). Isto é necessário para garantir amêndoas intactas por ocasião da quebra da casca. A extração das amêndoas foi feita em máquinas manuais usadas na quebra de "Castanha do Brasil", instaladas na Unidade de Tecnologia de Alimentos-UTAL, da Universidade Federal do Acre.
De imediato verificou-se que o tamanho das sementes, a espessura da casca e a dificuldade de se fazer a amêndoa "soltar" da mesma, inviabilizam a adoção de processos manuais. Uma amêndoa seca pesa em média ...g. Para produção de um kg são necessários .... mil frutos, que quebrados, em cálculo otimista (obtivemos média de .... frutos quebrados/hora), à razão de ...../h, demandariam .... horas de trabalho. Muito mais que, por exemplo, o obtido com a "Castanha do Brasil" que varia entre 5-10kg/8h de trabalho. Como desconhecemos a existência de equipamentos que possam ser adaptados à quebra deste tipo de semente, aparentemente o aproveitamento econômico em larga escala desta espécie está, momentaneamente, comprometido até a realização de estudos mais detalhados ligados ao desenvolvimento de tecnologias de beneficiamento.
Outras regiões:
a) Frutos:
Balick & Gershoff (1990), afirmam que na Colombia os frutos são muito apreciados (mesocarpo e amêndoa), sendo vendidos em beiras de estradas por ambulantes. A análise da polpa encotrou que a mesma é muito rica em vitamina A (16.000 UI/ 100g, peso húmido), superior à "Cenoura" (2.000-12.000 UI). O endosperma contém 7.9g/100g (em peso seco) de proteína e 37% de gordura, rica em ácido láurico (gordura saturada, bastante similar ao óleo de côco).
Pitier (1926), Gonsalves (1955), Braun (1968), Duke (1968), Perez-Aberlaez (1978), Hoyos & Braun (1984), Pio Corrêa (1984), Balslev & Barfod (1987), Braun & Chitty (1987) e Galeano & Bernal (1987), comentam sobre o uso ornamental, cultivo e o aproveitamento na dieta alimentar do pericarpo e da amêndoa, tanto "in natura" quanto torrada, e na extração de óleo comestível, na Venezuela, Brasil, Colombia e Equador.
ASPECTOS AGRONôMICOS
Entre 1983 e 1984, equipes do INPA-ACRE realizaram excursões de coleta de sementes de fruteiras nativas em todo o Estado e trouxeram sementes de A. aculeata da região de Xapurí-Brasiléia. O material foi introduzido na coleção que foi estabelecida na Fazenda Catuaba da Universidade Federal do Acre.
Agronomicamente o comportamento da espécie é muito bom, tendo iniciado a produção 3-4 anos depois de levadas ao campo. O espaçamento adotado inicialmente foi de 4 X 4m, porém eventuais plantios comerciais que utilizem adubação química, poderão usar o espaçamento de 3 X 3m, sem maiores problemas de super-adensamento tendo em vista que a copa não ocupa muito espaço horizontalmente. Os dados disponíveis, embora não conclusivos, parecem indicar que cada planta produz 2-3 cachos de frutos/safra. Neste caso, uma hectares com 1.111 plantas (3 X 3m), poderia produzir, no mínimo 2.000 cachos/ano, o que significaria cerca de ........ kg de amêndoas secas/ha (INPA-ACRE, 1993).
Exemplares representativos: Mâncio Lima, rio Môa, ca. 5min abaixo da boca do rio Azul, 17 out 1989, A. Henderson et al 1145 (NY); Mâncio Lima, rio Môa, 10 min. acima da boca do rio Azul, local "Meia Doze", 7° 25'S; 73° 15'W, 14 fev 1992 (fl), A. Henderson et al 1683 (NY); Thaumaturgo, Res. Ext. Alto Juruá, m.e. do rio Bagé, floresta de terra firme com bambú, 8° 55'S; 72° 31'W, 11 mar 1992 (fr), E. Ferreira 121 (UFAC); Xapurí, Ser. Cachoeira, Col. Brasil, floresta virgem, 13 out 1989, M. Pinard 847 (NY, UFAC).
2. Aiphanes ulei (Dammer) Burret
Sinonímias: [Martinezia ulei Dammer; Aiphanes Schultzeana Burret].
Nome vulgar: "Paxiubinha de espinho"
ESTIPE: solitário, subterrâneo ou aéreo com 30cm de comprimento. FOLHAS: 5-6; bainha com 20-30cm de comprimento; bainha, peciolo e raque com espinhos negros, achatados, de até 4cm de comprimento; pecíolo 21-40cm de comprimento; raque 0.9-1.2m de comprimento; 9-14 pinas por lado, arranjadas em grupos de 2, aparentemente dispostas em um plano, gradualmente enlarguecidas em direção ao ápice, com margen premorsa-bilobada, faixas marrom-tomentosas na face abaxial, especialmente nas margens; pinas medianas com 24-33cm de comprimento e 6-7cm de largura no meio. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, ereta na antese e com frutos; pedúnculo 75-100cm de comprimento; profilo com 15-35cm de comprimento; bráctea peduncular 50-87cm de comprimento; raque com 24-30cm de comprimento; 4-15 raquilas, unidas basalmente à raque, 4-12cm de comprimento. FLORES: nascendo em tríades congestas basalmente, com flores estaminadas em pares ou solitárias apicalmente; flores estaminadas não vistas; flores pistiladas não vistas. FRUTOS: (velhos) 6mm de diâmetro; forma globosa; resíduo estigmático apical saliente.
Encontrada na Colombia, Equador, Peru (Loreto, San Martin) e Brasil (Acre).
HABITAT E ECOLOGIA
No Acre foi encontrada no alto rio Môa, acima da Serra do Môa (muito próximo à fronteira com o Peru), em ambiente que não é bem representativo do que normalmente temos em todo o Estado, pois essa região mescla elementos tipicamente Andinos (Dictiocaryum ptariense p. ex.) com outros típicos da planície Amazônica.
é importante ressaltar que esta espécie, embora tenha sido encontrada no Acre com caule subterrâneo ou curtamente desenvolvido, em outros países da América do Sul pode alcançar até 4.5m de altura (porte similar ao de A. aculeata).
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Não dispomos de qualquer informação relacionada com o uso desta espécie para o Acre. Infelizmente nenhum dos exemplares que examinamos em NY continham qualquer dado adicional, fazendo-nos crer que pouco proveito é obtido desta espécie.
Exemplar representativo: Mâncio Lima, alto rio Môa, próximo ao Igarapé Vitor, 7° 35'S; 73° 45'W, 14 out 1989 (fl, fr), A. Henderson et al 1133 (NY).
APHANDRA Barford
PORTE: palmeira dióica de médio a grande porte. ESTIPE: solitário, ereto, às vezes inclinando-se, com entre-nós curtos.
FOLHAS: pinadas, reduplicadas; bainha aberta e não formando crownshaft, às vezes persistente; pecíolo alongado; bainha e pecíolo com fibras nas margens; raque longa, fina; pinas lineares, regularmente arranjadas e dispostas em um mesmo plano. INFLORESCêNCIA: fortemente dimôrfa; inflorescência estaminada intrafoliar; pedúnculo originando um profilo, uma bráctea peduncular e poucas brácteas menores; raque alongada com numerosas raquilas curtas; inflorescência pistilada intrafoliar, com raque contraída, sem raquilas;
FLORES: estaminadas nascendo em grupos de aproximadamente 4; perianto muito reduzido, em forma de bráctea; receptáculo arredondado com 400-650 pequenos estames; 24-40 flores pistiladas sésseis; 7-9 tépalas; numerosos estaminódios; gineceu sincárpico, 7-8 lóculos e 7-8 óvulos; estilo e estigma alongados. FRUTOS: numerosos; forma irregularmente prismática; desenvolvendo-se densamente no ápice de uma axe curta, em forma de clava; epicarpo recoberto por projeções lenhosas de forma piramidal; endocarpo fibroso envolvendo todas sementes.
SEMENTES: numerosas; endosperma homogêneo; posição do embrião basal; germinação remota ligular. PRIMEIRA FOLHA: pinada.
Referência: A. Barfod (1991).
Gênero de uma espécie, A. natalia (Barford, 1991), distribuída no oriente do Equador (Morona-Santiago, Napo), Peru (Loreto) e Brasil (Acre). Embora ainda não tenha sido coletada, é possível que a espécie possa ocorrer no rio Inauiní (afluente do rio Purus), Estado do Amazonas. Denise Garrafiel (com. pess.), confirmou que é comum uma espécie de palmeira de terra firme conhecida vulgarmente como "Piassava" ou "Bacina", e pessoalmente tivemos a oportunidade de ver fibras oriundas do mesmo lugar (bastante similares às extraídas no vale do Juruá) sendo usadas na confecção de vassouras em Rio Branco-Acre.
1. Aphandra natalia (Balslev & Henderson) Barford
Sinonímia: Ammandra natalia Balslev & Henderson.
Nome vulgar: "Piassava"
ESTIPE: solitário, 3-11m de comprimento, 20-22cm de diâmetro, basalmente liso, ápice com novelo de fibras oriundas da margem das bainhas e pecíolo das folhas; às vezes com uma visível massa de raízes na base. FOLHAS: 10-20; bainha 0.7-1m de comprimento, fibrosa nas margens e com uma alongada aurícula que se desintegra em uma massa de fibras; pecíolo 2.3-2.5m de comprimento, com escamas marrons mais espalhadas na face adaxial e densas abaxialmente; raque 4-5.4m de comprimento; 90-120 pinas por lado, lineares, regularmente arranjadas em dispostas em um mesmo plano; as medianas com 1-1.2m de comprimento e 6-8cm de largura. INFLORESCêNCIA: fortemente dimôrfa; inflorescência estaminada intrafoliar, pedúnculo 70-90cm de comprimento, profilo 40-50cm de comprimento, bráctea peduncular 80-150cm de comprimento e poucas brácteas menores presentes; raque 1-1.7m de comprimento; 200-300 raquilas de 1.5cm de comprimento; inflorescência pistilada intrafoliar, pedúnculo 30-45cm de comprimento, profilo 40-60cm de comprimento, bráctea peduncular 35-45cm de comprimento, com pequenas brácteas presentes; raque 5-8cm de comprimento.
FLORES: estaminadas nascendo em receptáculo com perianto muito reduzido; 200-300 estames; 25-40 flores pistiladas densamente agrupadas na raque, tépalas compridas; 6-8 estigmas de cerca de 4cm de comprimento. FRUTOS: aproxiamadamente 30, desenvolvendo-se em grupos densos na raque, 7-12cm de comprimento; forma irregular, com proeminentes projeções lenhosas piramidais.
Encontrada no rio Juruá-Mirim, Môa e igarapé Visêu, no vale do rio Juruá, Municípios de Porto Valter e Mâncio Lima.
HABITAT E ECOLOGIA
Cresce em florestas de terra firme, de médias altitudes (300-800m, Equador) até baixas elevações (160m, Acre). Desenvolve-se facilmente em áreas onde a floresta foi cortada para a implantação de pastagem, podendo apresentar densidade de até 19 indivíduos adultos em menos de 1ha (Pedersen & Balslev, 1990).
No Acre observamos dezenas de indivíduos crescendo sob florestas virgens de terra firme não sujeitas a inundações. Embora a ocorrência fosse restrita a dois pontos (Igarapé Visêu e rio Juruá-Mirim), a densidade das plantas era relativamente alta, quando se comparava (p.ex.) com a de A. murumuru.
Pedersen (1992), acredita que o homem e as fortes correntes dos rios encontrados nas proximidades da base das montanhas Andinas, onde esta espécie ocorre com mais frequencia, podem ser os mais importantes dispersores a longa distância, enquanto que roedores como "esquilos" (Sciurus sp.) e "Guatusas" (Dasyprocta sp.), são, provavelmente, os mais importantes dispersores a curta e média distância.
A polinização parece ser similar à de Phytelephas, tendo sido coletados, dentro das inflorescências durante a ântese, os seguintes insetos: Coleoptera-4 espécies de Staphylinidae, 1 Nitidulidade, 1 Chrysomelidae, 2 Cyclocephala; Diptera: 1 espécie de Drosophilidae e 1 Phoridae (Henderson, 1986; Pedersen & Balslev, 1990).
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre:
a) Fibras:
Esta é uma das espécies nativas potencialmente mais importantes e que permanece sub-explorada. As fibras extraídas da margem da bainha e do pecíolo de suas folhas são usadas para a confecção de "vassouras" artesanais no vale do Juruá, que resumimos a seguir:
i) A produção é totalmente manual. Usualmente cabe aos homens o papel de ir à floresta coletar uma quandidade considerável de fibra, que será trabalhada pelas mulheres, que são responsáveis pela confecção do produto;
ii) A fibra bruta é passada em uma espécie de "pente de pregos" até a sua limpeza e homogeinização em diâmetro mais ou menos semelhante, aparando-se as ponta para, finalmente, formar "molhos", que poderão ser usados imediatamente ou armazenados por várias semanas em lugar protegido da umidade e do sol;
iii) Para a confecção da "vassoura", a fibra é colocada na água durante algumas horas para perder a rigidez e não quebrar quando for dobrada; depois de seca, é montada em um receptáculo feito com variados tipos de cipós (Araceae). A venda é efetuada por dúzias, e alguns regatões afirmaram que costumavam "baixar" o rio com até 1.000dz. O preço que é pago pode variar entre US$ 0.18-0.27 a unidade, dependendo da qualidade da fibra usada e do acabamento final. Na verdade, segundo a declaração de algumas mulheres no rio Juruá-mirim, desde a paralização quase completa do mercado da borracha, elas não recebem dinheiro em espécie, efetuando a troca por alimentos (principalmente leite em pó, café, açúcar e sal), roupas e sapatos.
No mercado local de Cruzeiro do Sul predominam os artigos confeccionados com fibras de A. natalia e de cipó "Titica" (Araceae)(1), sendo muito difícil encontrar os importados, confeccionados com fibras artificiais. A explicação mais lógica para esta situação atípica parece ser o baixo preço com que o mesmo é oferecido para a venda. Em janeiro de 1992 o preço ao consumidor (vassoura sem o cabo) equivalia a US$ 0.45, tornando impraticável a importação de Manaus (1.500km, por rio) ou do sul do país (mais de 4.500km por via rodo-aérea) pelos grandes comerciantes atacadistas da cidade. Neste caso merece ser citado o fato de que o monopólio da compra de produtos acabados nas regiões produtoras (altos rios) está concentrado nas mãos de alguns poucos "regatões", comerciantes que normalmente não têm estabelecimentos importantes na cidade e revendem a terceiros, com estabelecimentos nos pontos comerciais tradicionais.
Em termos de durabilidade, uma comparação de vassouras confeccionadas com fibras de Attalea funifera (Bahia) e Leopoldinia piassaba (Amazonas), com aquelas confeccionadas com fibras de Aphandra natalia mostra que a última tem menor vida útil. O motivo é o diâmetro mais fino de suas fibras, que não proporcionam a rigidez característica das duas primeiras, sendo esta uma desvantagem insuperável sob a ótica mercadológica.
Entretanto, de acordo com a informação de um proprietário de fábrica de vassouras de "piassava" estabelecido no Distrito Industrial de Rio Branco, as fibras de A. natalia são ideais para serem combinadas com as de A. funifera (que o mesmo importa de distribuidores em São Paulo). No caso, na parte externa da "cabeça" onde são montadas as fibras se usa material de A. funifera, mais grosso e resistente para conferir firmeza e durabilidade, enquanto no centro são usadas fibras de A. natalia como "enchimento" e que funcionam de modo auxiliar na remoção o pó ou sujeira, sem maiores consequências para a qualidade e durabilidade do produto final.
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(1)- São vendidas por preços e em quantidades similares, porém a maior durabilidade e rusticidade dos produtos elaborados com Aracea me fazem pensar que estão em classes diferentes. Produtos de A. natalia são usados em pisos mais sensíveis e podem recolher pó mais fino. Por este motivo, não é raro muitos consumidores da cidade de Cruzeiro do Sul fazer a aquisição conjugada.
Outras regiões:
a) Fibras:
No Equador as fibras constituem a mais importante matéria-prima para a fabricação de "vassouras", sendo considerada a maior fonte de ingressos financeiros da Província de Morona-Santiago. Em janeiro de 1988, 1 kg de fibras processadas valia o equivalente a US$ 0.70-0.80 e era suficiente para fazer seis "vassouras", vendidas ao preço de US$ 0.60 cada (Barford, 1991; Pedersen & Balslev, 1990; Balslev & Barford, 1987; Balslev & Henderson, 1987). Pedersen (1992), afirma que as cordas obtidas com as fibras desta espécie no Equador são de baixa qualidade e estão, atualmente, sendo substituídas por produtos sintéticos.
b) Folhas, Frutos, Estipe e Palmito:
O "palmito", endosperma e mesocarpo imaturos são comestíveis. índios fazem "dardos" do estipe e alimentam-se de larvas que aí se desenvolvem; as fibras da base da folha são usadas para acender fogo, folhas são usadas fazer cestos e cobertura de habitações indígenas e o mesocarpo é comercializado em feiras por cerca de US$ 00.10 (Borgoft Pedersen & Balslev, 1990; Barford 1989; Balslev & Henderson, 1987).
ASPECTOS AGRONôMICOS
No Equador alguns plantios foram estabelecidos e aparentemente ainda não estão em produção. A maior parte das fibras é oriunda de plantas nativas.
Pedersen (1992), relaciona três tipos de manejo da espécie naquele país: manejo em florestas (o único que pode ser aplicado imediatamente no Acre), Manejo de regenerações e Manejo em pastagens. Nos dois primeiros casos a técnica consiste em clarear ou eliminar outras espécies e permitir que A. natalia possa aumentar gradativamente o seu "stand" natural, tornando economicamente viável a exploração das fibras. No último caso, plantas adultas são preservadas por ocasião da implantação de pastagens. Neste caso o aumento da densidade natural é limitado pela própria pastagen e pela impossibilidade de progresso das regenraçoes que são sistematicamente eliminadas pelo gado.
Em todos os casos citados acima se costuma realizar práticas culturais simples, como o corte das folhas (por ocasião da extração das fibras), inflorescências, infrutescências e limpeza do terreno em volta das plantas (com exceção das áreas de pastagens), visando proporcionar maior retenção de nutrientes e permitir o gradual adensamento. Uma planta nestas condições pode permitir a extração de 4.5kg de fibras por ano, porém a produção individual pode variar muito (B. Pederson & Balslev, 1990).
Um homem pode levar de 20-60 minutos para coletar as fibras de uma palmeira, dependendo da quantidade e da necessitade de ter que subir na planta, permitindo que durante um dia o total de plantas coletadas fique entre 10-15 (Pedersen, 1992).
Possibilidades de Introdução no Acre:
Baseando-nos no sucesso que a exploração desta espécie está alcancando no Equador, especialmente o manejo de populações em áreas de pastagens antigas, onde sua agressividade na concorrência com outras espécies e o aparente benefício que a mesma pode proporcionar às pastagens já implantadas são pontos destacados, acreditamos que, para as condições do Acre, esta é uma alternativa a ser implementada a curto prazo.
Existe demanda por fibra, atualmente importada de São Paulo a preços que não permitem a expansão do número de fábricas de "vassouras" no Estado e a concorrência, a nível de preço, com os produtos sintéticos e naturais importados de Manaus e Centro-Sul.
As populações naturais da espécie são relativamente pequenas e localizadas em pontos que dificultam o escoamento da produção, não parecendo representar ameaça aos investimento que porventura vierem a se feito em plantios.
Como primeiro passo, em 1993-1994 sementes deverão ser coletadas no vale do Juruá e introduzidas, juntamente com Attalea tessmannii e Phytelephas macrocarpa, em sistemas agroflorestais que estão sendo implantados no Seringal "Dois Irmãos", na Reserva Extrativista "Chico Mendes" (próximo à cidade de Xapurí).
No entanto é a combinação A. natalia X pastagem, a que parece ter maiores possibilidades. A introdução de uma espécie com valor comercial reconhecido poderá dar novo alento a esta atividade no Estado, inclusive ajudando os pequenos agricultores a manter em boas condições pastagens que normalmente são abandonadas por falta de manejo adequado e recursos financeiros (controle de pragas e ervas daninhas). Na prática as pastagens mais antigas e pouco manejadas do Estado estão sempre povoadas por incontáveis espécies de palmeiras, caracterizdas pela ausência ou baixo valor comercial de seus produtos, como é o caso de Astrocaryum murumu, A. aculeatum, Attalea butyracea e A. phalerata.
Embora reconheçamos que as informações relacionadas com a sua agronomia sejam virtualmente inexistentes, a experiência Equadoriana pode servir como exemplo de aproveitamento, a longo prazo e sustentável, de uma planta nativa que, igualmente, nunca foi alvo de estudos visando definir sistemas mínimos de produção.
Exemplares representativos: Mâncio Lima, alto rio Môa, próximo ao Igarapé Vitor, 7° 35'S; 73° 45'W, 14 out 1989 (fl _), A. Henderson et al 1126 (NY); Porto Valter, Igarapé Visêu, floresta de terra firme, 8° 20'S; 72° 15'W, 8 fev 1992 (fr), A. Henderson et al 1657 (NY); Porto Valter, Igarapé Visêu, floresta de terra firme, 8° 20'S; 72° 15'W, 21 mar 1992 (fr), E. Ferreira 175 (UFAC).
Exemplar adicional examinado: Equador, Morona-Santiago, km 18 da rodovia Mendez-Sucua, S de Logroņo, 2° 35'S; 78° 11'W, 14 jul 1985 (fl _), H. Balslev & A. Henderson 60.651 (Isótipo, NY).
ASTROCARYUM G. Meyer.
PORTE: palmeiras monóicas de pequeno a grande porte, espinhosas. ESTIPE: solitário ou cespitoso, curto ou alongado, algumas vezes acaulescente; delgado ou robusto; liso com visíveis anéis de cicatrizes foliares armados com espinhos fortes apontados em várias direções que podem cair com a idade ou às vezes obscurecido por bainhas de folhas armadas com espinhos. FOLHAS: poucas ou numerosas, reduplicadas, pinadas ou mais raramente folhas inteiras; bainha aberta e não formando crownshaft; pecíolo curto ou alongado; raque alongada; pinas regular ou irregularmente arranjadas, dispostas em um ou vários planos; branco-tomentosas abaxialmene. INFLORESCêNCIA: intrafoliar; pedúnculo usualmente alongado originando um profilo e uma bráctea peduncular; raque mais curta que o pecíolo originando numerosas raquilas simples, delgadas. FLORES: formando poucas tríades basalmente nas raquilas, flores estaminadas densamente arranjadas apicalmente; flores estaminadas com 3 sépalas triangulares, brevemente unidas basalmente, livres acima; 3 pétalas maiores que as sépalas, unidas abaixo, valvadas acima; usualmente 6 estames, podendo apresentar eventualmente 3-12; pistilódio pequeno, trífido ou ausente; flores pistiladas claramente maiores que as estaminadas, 3 sépalas unidas com cúpula tri-lobada; 3 pétalas unidas basalmente em cálice tubular tri-lobado; anel estaminoidal curto ou ausente; gineceu sincárpico, trilocular, triovulado. FRUTOS: forma globosa, prismática ou ovóide; resíduo estigmático apical; epicarpo liso ou espinhoso; mesocarpo carnoso ou seco e farinhento; endocarpo duro, com fibras irradiadas de 3 poros sub-terminais. SEMENTE: 1; endosperma homogêneo; embrião aub-apical, oposto aos poros do endocarpo; germinação adjacente-ligular. PRIMEIRA FOLHA: bífida.
Referência: Uhl & Dransfield (1987); Kahn & Millan (1992).
Embora a bibliografia indique a existência de 45-47 espé_ies no Gênero (Burret, 1934; Uhl & Dransfield, 1987), Kahn & Millan (1992), acreditam que somente cerca de 15 poderão ser assim consideradas.
Encontram-se distribuídas apartir do sul do México, América Central, Trinidad, norte da América do Sul até o sul da Bolívia. Dez espécies podem ser encontradas na bacia Amazônica, cinco das quais no Acre: A. aculeatum, A. chambira, A. gynacanthum, A. jauari e A. murumuru.
CHAVE PARA AS ESPéCIES DE ASTROCARYUM
1. Folhas com pinas regularmente arranjadas e dispostas em um mesmo plano; raquilas usualmente com 1 flor feminina.
2. Infrutescência pêndula; estipe com 3-6cm de diâmetro, sem bainhas de folhas persistentes e com visíveis anéis de espinhos nos entre-nós curtos; frutos glabros, de cor laranja na madurez......................................................................................................... 3. A. gynacanthum
2. Infrutescência ereta; estipe com 12cm de diâmetro, bainhas de folhas persistentes fortemente armadas com espinhos irregularmente arranjados ou liso com entre-nós alongados; frutos com espínulos, de cor amarelada na madurez.......................................................... 5. A. murumuru
1. Folhas com pinas irregularmente arranjadas em grupos e dispostas em vários planos; raquilas usualmente com 2-8 flores femininas.
3. Estipe cespitoso; típica de ambientes alagados próximos a cursos de águas..... 4. A. jauari
3. Estipe solitário; típica de florestas primárias ou secundárias de terra firme, campinas ou pastagens cultivadas.
4. Frutos globosos, epicarpo glabro, corola persistente com margem apical multi-lobada; folhas com 104-118 pinas por lado................................................................... 1. A. aculeatum
4. Frutos obovados, epicarpo com espínulos, corola persistente com margem apical inteira; folha com 160 pinas por lado.............................................................................. 2. A. chambira
1. Astrocaryum aculeatum G. Meyer
Sinonímias: [Astrocaryum tucumã Martius]. [Astrocaryum princeps Barb. Rodr.]. [Astrocaryum caudescens Barb. Rodr.]. [Astrocaryum princeps var. sulphureum Barb. Rodr.]. [Astrocaryum princeps var. flavum Barb. Rodr.]. [Astrocaryum princeps var. vitellinum Barb. Rodr.] [Astrocaryum manoense Barb. Rodr.]. [Astrocaryum macrocarpum Huber].
Nome vulgar: "Tucumã"
ESTIPE: solitário, ereto, 4.10-12.56m de comprimento e 20cm de diâmetro, com espinhos negros nos entre-nós medindo 5-15cm de comprimento. FOLHAS: 8; bainha, pecíolo e raque cobertos por espinhos negros, achatados; bainha e pecíolo com 1.34-1.57m de comprimento; raque 2.34-2.66m de comprimento; 104-118 pinas por lado, lineares, irregularmente arranjadas e dispostas em vários planos. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, múltipla, ereta na antese e na frutificação; pedúnculo 28(194)cm de comprimento; profilo ?; bráctea peduncular 2.5m de comprimento, externamente com uma densa cobertura de espinhos de cor negra; raque e raquilas branco-tomentosas; raque 75cm de comprimento, originando ............raquilas de .....a....cm de comprimento; raquilas basais com flores flores femininas e apicais com flores masculinas. FLORES: estaminadas cerca 5mm de comprimento, creme-amareladas, em pares ou solitárias em depressões ao longo das raquilas; 3 sépalas triangulares, curtas; 3 pétalas brevemente unidas abaixo, com o dobro do comprimento das sépalas; 6 estames; pistilódio trífido; flores pistiladas com 1.5cm de comprimento, 2-4 por raquila; cálice e corola cupular; anel estaminoidal com 2mm de altura; estilo alongado. FRUTOS: 4.5-6cm de comprimento e 3.5-4.2cm de diâmetro; forma globosa; epicarpo de cor amarelo-laranjado ou laranja-esverdeado quando maduro, glabro, com resíduo estigmático sub-apical; cálice trilobado, corola multi-lobada; anel estaminoidal com ca. da metade do comprimento da corola.
Distribuída na Venezuela, Trinidad, Guianas, Bolívia (Beni, Pando, Santa Cruz) e Brasil (Acre, Amazonas, Mato Grosso e Rondônia).
HABITAT E ECOLOGIA
Cresce em todo o Estado e pode ser encontrada com mais frequência em áreas secundárias (capoeiras), pastagens cultivadas e mais raramente em florestas primárias. Uma de suas maiores concetrações é observada nas pastagens às margens da BR-317 entre Rio Branco e Xapurí. Neste ambiente é comum apresentar um porte mediano e estipe desprovido de espinhos nos 2/3 iniciais (eliminados pelo fogo nas pastagens). Em floresta secundária ou primária costuma atingir grande altura (às vezes mais de 20m) e o estipe é fortemente armado com espinhos nos entre-nós.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre:
a) Frutos:
No Acre, repetindo-se o que parece ocorrer em todas regiões onde cresce a espécie, os frutos podem ser de diferentes tamanhos e coloração, polpa oleosa ou não, o que deve indicar que esta espécie é muito variável em características típicamente influenciáveis pela ação humana.
Pelas observações que fizemos durante nosso trabalho este foi o único recurso realmente utilizado desta espécie. Entre os frutos de palmeiras que podem ser consumidos in natura, é um dos mais apreciados, tanto pela sua polpa quanto pela amêndoa (frutos amarelados parecem não ser tão apreciados quanto os de cor vermelha). Infelizmente, a despeito de a maioria das pessoas conhecer o potencial oleífero da espécie, poucas realmente se dedicam a esta atividade.
Outras regiões:
a) Frutos:
A polpa pode
apresentar textura fibrosa, seca a oleosa ou muito oleosa, de sabor
repulsivo ou de excelente qualidade. Em Manaus é uma das frutas de mais
alto valor no mercado e cerca de 8.000t de amêndoas (de diversas
espécies de Astrocaryum) são coletadas na selva e transformadas em óleo
comestível (Arkcoll, 1986). Os frutos podem ser usados para produzir
fumaça na defumação de borracha.
Na Bolívia, além dos frutos serem consumidos pelo homem e pelos animais da floresta, os índios usam as larvas que se desenvolvem nos frutos caidos no chão como isca de pesca (Balslev & Moraes, 1989; Boom, 1987).
b) Estipe e folhas:
Galeano (1992), afirma corretamente que esta é uma das espécies mais úteis para o homem amazônico. A madeira é usada para fazer arcos e pontas de flechas. Os espinhos podem ser usados como ponta de dardos. Cordão de excelente qualidade é obtido das folhas novas e são usados para fazer rede de pesca e redes de "embalo". Cerca de 100t de fibras de "Tucum" são processadas anualmente no Brasil (Arckcoll, 1986; Boom, 1987). Entretanto, concordamos com Perez-Arbelaez (1978) e acreditamos que a exploração da espécie como fornecedora de fibra se constitui em um processo irracional e, teoricamente, inviável economicamente.
Investimentos em pesquisas com a espécie devem priorizar o uso do fruto na alimentação e no fornecimento de óleo de qualidade industrial.
ASPECTOS AGRONôMICOS
As sementes desta espécie podem germinar depois de 2 meses (Braun & Chitty, 1987).
Exemplares representativos: Xapurí, Ser. Dois Irmãos, Col. Uruqueu, 10° 38'S; 68° 15'W, 07.11.91 (fr), E. Ferreira et al 81 (NY). Xapurí, Ser. Cachoeira, Col. Nova Fazendinha, 02.11.89 (fr), M. Pinard 850 (NY).
2. Astrocaryum chambira Burret
Sinonímias: [Astrocaryum vulgare de Wallace in Palm tree of Amazon. 1853].
Nome vulgar: "Tucumã"
ESTIPE: solitário, ereto, até 15m de comprimento e 30cm de diâmetro, com entre-nós densamente cobertos por espinhos negros. FOLHAS: 12; bainha e pecíolo densamente cobertos por espinhos achatados de coloração amarelada; bainha 1.1m de comprimento; pecíolo 2.6m de comprimento; raque 4.8m de comprimento; 160 pinas por lado, linear ou linear-lanceoladas, irregularmente arranjadas e dispostas em diferentes planos; com pequenos espinhos nas margens, nervuras das pinas medianas subterminais; pinas medianas com 1.51-1.63m de comprimento e 4-4.5cm de largura . INFLORESCêNCIA: intrafoliar e ereta; profilo 1.2m de comprimento, persistente; bráctea peduncular inserida próxima ao ápice do pedúnculo, decídua na frutificação; bráctea peduncular com 1.9m de comprimento, densamente recoberta por espinhos externamente; pedúnculo com 2.3m de comprimento; raque 1.2m de comprimento, originando 300 raquilas simples, medindo de 27-40cm de comprimento. FLORES: a métade inicial das raquilas apresenta-se com 2-3 tríades de 1 flor pistilada, grande e séssil, e 2 estaminadas pequenas e pediceladas; a porção apical engrossada, glabra ou marrom-tomentosa, está coberta unicamente por flores estaminadas densamente agrupadas; flores estaminadas com cerca 6mm de comprimento; 3 sépalas estreitamente triangulares, brevemente unidas abaixo, livres acima; 3 pétalas ovadas, unidas brevemente abaixo, valvadas acima; 6 estames; pistilódio trífido; flores pistiladas com 1.5cm de comprimento; cálice cupular; corola cupular recoberta por espínulos; estigma muito grande. FRUTOS: 6cm de comprimento e 3.5-4cm de diâmetro; forma obovada; corola inteira; epicarpo de cor amarelo-esverdeado quando maduro, coberto por espínulos negros; resíduo estigmático apical proeminente com 0.5-1cm de comprimento; mesocarpo fibroso; endocarpo duro, com menos de 0.5cm de espessura. SEMENTE: 1; endosperma homogêneo.
Distribuída na Colombia, Venezuela, Equador, Peru (Amazonas, Loreto) e Brasil (Acre e Amazonas). No Acre parece ter a distribuição restrita ao vale do rio Juruá.
HABITA E ECOLOGIA
No Acre pode ser encontrada habitando florestas primárias (incluindo campinas) e secundárias. Na Venezuela cresce em florestas úmidas e abertas, em transição para savanas (Wessels Boer, 1988). Na Colombia cresce em florestas secundárias e é ocasionalmente cultivada (Glenboski, 1983).
Embora reconheça que a distribuição de muitas espécies do gênero foram fortemente influídas pela ação humana, Wessesl Boer (1988), acredita que A. chambira pode ser nativa no sudoeste do Estado do Amazonas, na Venezuela, ressaltando que caso tenha sido realmente introduzida correntemente está completamente naturalizada na área.
Kahn (1988), afirma que na Amazonia Peruana esta espécie raramente pode ser encontrada em florestas primárias de terras altas (terra firme), e solos bem drenados; densas populações ocorrem em vegetações secundárias e próximas a povoados, onde são propagadas pelo homem.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Outras regiões:
a) Frutos e Palmito:
Na Colômbia, Venezuela e Peru os frutos são comestíveis. O endosperma imaturo líquido é bebido e quando maduro consumido da mesma forma que o de Cocos nucifera (Acero-Duarte, 1979, 1982; Kahn, 1988; Mejia, 1992; Piņedo-Vasquez et al, 1990; Wessels Boer, 1988).
Mejia (1988), afirma que o palmito, de qualidade inferior ao de Euterpe precatoria, é comestível.
b) Fibras das folhas novas:
As fibras obtidas das folhas imaturas (epiderme das folhas), são usadas, com mais frequência entre os indígenas, na fabricação de tecidos, artesanatos, redes, linhas e redes de pesca (Acero-Duarte, 1979, 1982; Glenboski, 1983; Jordan, 1970; Kahn, 1988; Piņedo-Vasquez et al, 1990; Wessels Boer, 1988).
Mejia (1988), explica o processo de preparo da fibra:
i) antes de serem tecidas, as fibras são deixadas de molho em água com sabão ou detergente por aproximadamente 10h até ficarem sem coloração alguma;
ii) São então secas ao sol, podendo ser tingidas com diferentes cores;
iii) Depois de tingidas e secas as fibras são entrelaçadas (tecidas), até formar cordões que podem, então, ser usados na confecção de sacolas de múltiplos propósitos ou redes. Três folhas são suficientes para confeccionar uma sacola de 35x25cm.
Exemplares representativos: Mâncio Lima, rio Môa, Faz. Arizona, 7° 25'S; 73° 38'W, 15.10.89 (fl), A. Henderson et al 1136 (NY); Mâncio Lima, rio Môa, logo acima da boca do rio Azul, 7° 25'S; 73° 10'W, 13.02.92 (fr), A. Henderson et al 1681 (NY); Mâncio Lima, rio Azul, 10min. acima da boca, loc. "Meia Doze", 7° 25'S; 73° 15'W, 14.02.92 (fr), A. Henderson et al 1685 (NY).
3. Astrocaryum gynacanthum Martius.
Sinonímias: [Astrocaryum mumbaca Martius; Astrocaryum gynacanthum var. mumbaca Trail]. [Astrocaryum minus Trail; Astrocaryum rodriguesii var. minus (Trail) Barb. Rodr.]. [Astrocaryum minus var. terrafirme Drude in Martius]. [Astrocaryum vulgare de Warburg]. [Astrocaryum gymnopus Burret]. [Astrocaryum gynacanthum var. dasychaetum Burret].
Nome vulgar: "Marajá", "côco preto"
ESTIPE: cespitoso ou ocasionalmente solitário, 2-6m de comprimento, 3-6cm de diâmetro, com anéis de espinhos achatados, negros, fortes, com até 12cm de comprimento nos entre-nós. FOLHAS: 6-13, dispostas horizontalmente; bainha parcialmente fechada, 15-80cm de comprimento, bainha, pecíolo e raque densa a moderadamente cobertas com espinhos similares aos do estipe, porém arranjados em grupos; pecíolo 20-60cm de comprimento; raque 1.2-2.5m de comprimento; 21-40 pinas por lado da folha, regularmente arranjadas e dispostas em um mesmo plano, as apicais muito mais largas que as demais, as medianas com 54-60cm de comprimento e 2.5-6cm de largura, de cor quase branca abaxialmente. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, pêndula na antese e em frutos; pedúnculo alongado, 35-80cm de comprimento, espinhento; profilo 30-40cm de comprimento; bráctea peduncular com 60-80cm de comprimento, com muitos espinhos negros na superfície adaxial, inserida próxima da metade do comprimento do pedúnculo; profilo e bráctea peduncular persistentes; raque 10-25cm de comprimento; numerosas raquilas de ca. de 4cm de comprimento, a secção estaminadas decídua depois da antese. FLORES: estaminadas nascendo em depressões ao longo de toda a raquila, ca. de 3mm de comprimento; sépalas estreitamente triangulares; pétalas obovadas, unidas por ca. de 1/2 de seu comprimento e com ápice reflexo na antese, 3mm de comprimento; 6 estames; pistilódio proeminente, trífido; flores pistiladas solitárias, sésseis, uma por raquila, 1cm de comprimento; cálice cupular com a superfície externa coberta por espínulos achatados; corola cupular, ápice liso; anel estaminoidal adnato à corola, curto; ginecêu com estilo e estigma compridos e ovário pequeno. FRUTOS: densamente agrupados nas raquilas, 2.5-3.5cm de comprimento e 1.2-1.5cm de diâmetro; forma obovóide; epicarpo de cor laranja-vivo abre-se na madurez, expondo o mesocarpo também de cor laranja e o endocarpo negro.
Distribuída no norte da América do sul, extendendo-se até a Bolívia. No Brasil é encontrada no Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia e Acre.
HABITAT E ECOLOGIA
Típica de sub-bosque em terra firme ou áreas mais úmidas, onde pode formar concentrações consideráveis. Caracteriza-se pelo seu pequeno porte, pelos anéis de espinhos negros nos curtos entre-nós e quando com frutos, pela coloração larnaja-vivo que exibem.
No Acre encontramos a espécie no km 80 da estrada Rio Branco-Boca do Acre e na área de Vila Nova California (km 150 da BR-364).
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Outras regiões:
a) Frutos e folhas:
De acordo com Pio Corrêa (1984), os frutos são usados na extração de óleo. As folhas podem ser usadas para fazer esteiras, chapéus e cestos. A palmeira também é cultivada como ornamental. Na Colombia os índios usam o "cogollo" para extrair sal vegetal usado na mistura com tabaco (Galeano, 1992).
Em Tocantins os índios Apynayé usa esta espécie como fonte de alimento: frutos verdes podem ser totalmente comestíveis; quando maduros apenas as amêndoas podem ser aproveitadas (Balick, 1988).
ASPECTOS AGRONôMICOS
Jardim Botânico de Caracas, as sementes necessitaram de 578 dias para começar a germinar (Braun & Chitty, 1987).
Exemplares representativos:(coletar na Vila California-ramal Baixa Verde e na Estrada de Boca do Acre, km 84-falar com Geraldinho).
4. Astrocaryum jauari Martius
Sinonímia: [Astrocaryum guara Burret].
Nome vulgar: "Juarí", "Jauarí", "Joarí"
ESTIPE: cespitoso, mais raramente solitário, inclinado, 5-13m de comprimento, 9-30cm de diâmetro, entre-nós com espinhos achatados, negros, de 10-14cm de comprimento, ou glabrescentes com a idade. FOLHAS: 6-10, ascendentes; bainha 0.5-1.7m de comprimento, fechada na base; bainha, pecíolo e raque moderada a densamente cobertas por espinhos achatados, negros ou cinza; pecíolo 0.6-1.5cm de comprimento; raque 1.5-2.6m de comprimento; 56-148 pinas, irregularmente arranjadas e dispostas em vários planos, bífidas no ápice, as medianas com 0.6-1.1m de comprimento e 2-3cm de largura, cinza-branco abaxialmente. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, ereta na antese e em frutos; pedúnculo 65-115cm de comprimento; profilo 40-75cm de largura, persistente; bráctea peduncular aproximadamente 1.1m de comprimento, inserida próximo ao ápice do pedúnculo, decídua na antese; raque 50-85cm de comprimento; 49-85 raquilas com 15-60cm de comprimento. FLORES: 3-6 tríades de duas flores masculinas e uma feminina basalmente, apicalmente numerosas flores masculinas; a secção estaminada densamente marrom-avermelhada-tomentosa; flores estaminadas 4.5mm de comprimento, em pares ou solitárias nas cavidades da secção estaminada da raquila; sépalas livres, estreitamente triangulares; pétalas brevemente unidas abaixo, valvadas acima, ápice reflexo na antese; 7-9 estames, com filamentos inflexados apicalmente; pistilódio trífido, curto; flores pistiladas ca. 2 vezes o tamanho das estaminadas; cálice cupular com margen apical ciliada, tri-lobado; corola cupular; anel estaminoidal livre da corola; pistilo globoso, ovário muito curto. FRUTOS: 2.5-3.5cm de comprimento e 1.7-2.5cm de diâmetro; forma globosa, globosa-elipsóide ou obovóide; epicarpo glabro, de cor amarelo-esverdeado ou laranja na madurez.
Amplamente distribuída na bacia Amazônica, podendo ser encontrada na Colombia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru (Loreto) e Brasil (Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima).
HABITAT E ECOLOGIA
Tipica dos lugares alagados próximos aos cursos de água, ou áreas periodicamente alagadas. No Acre observamos que é muito comum ao longo do rio Antimarí e rio Môa.
No Peru também pode ser encontrada em zonas de inundações de ecossistemas de águas escuras (Kahn & Mejia, 1990).
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Outras regiões:
a) Frutos, folhas e estipe:
Os frutos são usados como iscas para peixes, mas não são consumidos pelo homem; as pinas podem ser usadas na confecção de chapéus. A epiderme do estipe é usada para fazer esteiras, coberturas e "tipitis" (cestos de prensar massa de mandioca); o mesocarpo do fruto contém óleo comestível e o endosperma possui 21% de gordura (Pio Corrêa, 1984). O endosperma imaturo do fruto é comestível (Mejia, 1992), a camada externa da raque da folha pode ser usada para a confecção de cestos e peneiras (Mejia, 1988), e as folhas imaturas são usadas para a extração de fibras para confecção de chapéus e abanos, sendo necessárias três folhas para a confecção de um chapéu (Mejia, 1988; Schultes, 1977).
Exemplares representativos: (coletar no rio Antimarí-falar com Magna na Funtac).
5. Astrocaryum murumuru Martius.
Sinonímias: [Astrocaryum chonta C. Martius in Orbigny]. [Astrocaryum paramaca var. javarense Trail; Astrocaryum javarense (Trail) Drude in C. Martius]. [Astrocaryum paramaca var. platyacantha Drude in C. Martius]. [Astrocaryum yauaperyense Barb. Rodr.]. [Astrocaryum horridum Barb. Rodr.]. [Astrocaryum huicungo Dammer ex Burret]. [Astrocaryum ulei Burret]. [Astrocaryum macrocalyx Burret]. [Astrocaryum urostachys Burret]. [Astrocaryum cuatrecasanum Dugand].
Nome vulgar: "Murmuru", "Murumuru"
ESTIPE: solitário ou cespitoso; quando curto usualmente está coberto em toda a extensão por bainhas de folhas persistentes, quando longo as bainhas persistem no 1/3 logo abaixo das folhas; 2-6m de comprimento e 12cm de diâmetro ou 20.1-30cm medidos sobre as bainhas. FOLHAS: 8-14 folhas; bainha, pecíolo e raque moderada a densamente cobertas por espinhos negros, achatados, com 4-23cm de comprimento; bainhas persistentes, 1m de comprimento; pecíolo 1.40-1.75cm de comprimento; raque 4-5m de comprimento; 88-115 pinas por lado, lineares, espinhentas nas margens, cor quase branca abaxialmente, as medianas com 86-96.5cm de comprimento e 3-4cm de largura; regularmente arranjadas e dispostas em um plano. INFLORESCêNCIA: intrafoliar e ereta na antese e na frutificação; pedúnculo com 1.59m de comprimento; profilo 32cm de comprimento, persistente, adnato ao pedúnculo; bráctea peduncular 1.06m de comprimento, inserida ca. da metade do comprimento do pedúnculo, densamente coberta por espinhos negros ou marrons, finos e macios, textura aveludada; raque 36-48cm de comprimento, originando numerosas raquilas simples, medindo de 9-14cm de comprimento. FLORES: as raquilas contém 1 flor pistilada na base, seguida de uma curta secção estéril, engrossando no ápice onde nascem somente flores estaminadas; flores estaminadas 2mm de comprimento; 3 sépalas triangulares; pétalas oblongas, livres e valvadas; 6 estames; pistilódio muito pequeno; flores pistiladas com 1cm de comprimento; cálice cupular; corola tubular recoberta por espínulos; ginecêu ovóide, excedendo a corola. FRUTOS: 3.4-4cm de comprimento e 2.5cm de diâmetro; forma obovada ou alongada-obovada; epicarpo de cor amarelada quando maduro, coberto por espínulos negros; resíduo estigmático apical proeminente; mesocarpo carnoso, macio; endocarpo duro. SEMENTE: 1; endosperma homogêneo.
Com uma distribuição muito ampla, incluindo a Colombia, Venezuela, Guianas, Equador, Peru (Amazonas, Loreto, Madre de Dios, Pasco, San Martin), Bolívia (Beni, Pando, Santa Cruz) e Brasil (Acre, Amazonas, Pará e Rondônia).
HABITAT E ECOLOGIA
Embora seja típica de áreas de florestas primárias, tanto de terra firme quanto aquelas periodicamente alagadas, no Acre é possível encontra-la também em áreas secundárias (capoeiras) e com mais frequência em pastagens cultivadas. Boom (1987), considera esta espécie (aqui classificamos A. huicungo como sinonímia de A. murumuru) é semi-cultivada e incomum nos campos agrícolas abandonados e ao longo de caminhos.
Quando cresce sob floresta apresenta-se com estipe alongado, eventualmente desprovido das bainhas persistentes, não atingindo, entretanto, o dossel superior da floresta. Aparentemente a disposição de suas folhas e pinas (quase horinzontais) constituem uma adaptação visando facilitar a captação de luz. Nas áreas abertas e muito iluminadas é uma planta que não costuma passar dos 5m de altura total.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre:
a) Frutos:
Pouco usada como alimento pelos habitantes locais. A polpa têm um sabor adocicado, porém o alto teor de gordura que a mesma apresenta (40%, Balick, 1979), costuma causar frequêntes problemas estomacais. Para muitos Seringueiros, o consumo excessivo pode causar "febre". Na época da safra os frutos são muito procurados por animais tais como Veados (........), pacas (.........), Cutias ( ). Neste período os habitantes locais costumam usar estas plantas como locais de "espera" (caça).
Outras regiões:
a) Frutos, Folhas e Palmito:
Os frutos são comestíveis e a amêndoa é tão popular entre os índios Chácobos-Norte da Bolívia-quanto a "Manga" (Anacardium ocidentalum) (Boom, 1987). No Peru, entre ribeirinhos da Amazonia, embora em menor escala, os frutos são usados na alimentação (Piņedo-Vasquez et al, 1990), incluindo o endosperma imaturo líquido e o palmito (Mejia, 1988; 1992). Pittier (19260), também reporta o mesmo uso na Venezuela.
As folhas novas podem fornecer fibras (Schultes, 1977).
Exemplares representativos: Mâncio Lima, alto rio Môa, próximo ao igarapé Vitor, 7° 35'S; 73° 45'W, 14.10.89 (fr), A. Henderson 1125 (NY); Xapurí, Ser. Dois Irmãos, Col. Uruqueu, 10° 38'S; 68° 15'W, 07.11.91 (fr), E. Ferreira et al 78 (UFAC); Thaumaturgo, R. E. Alto Juruá, Tapaúna, m. direita do rio Juruá, 9° 12'S; 72° 14'W, 19.03.92 (fr), E. Ferreira 167 (UFAC); Xapurí, Ser. Dois Irmãos, Col. Já Começa, 10° 38'S; 68° 16'W, 16.03.93 (fr), J. Bandeira 04 (UFAC); Xapurí, Ser. Cachoeira, Col. Nova Fazendinha, 02.11.89 (fr), M. Pinard 850 (UFAC, NY).
ATTALEA Kunth
Sinonímias: [Scheelea Karsten]. [Orbignya C. Martius]. [Maximiliana C. Martius].
PORTE: palmeiras Monóicas de pequeno a grande porte. ESTIPE: solitário, raramente cespitoso, curto e subterrâneo ou alto e aéreo. FOLHAS:pinadas, reduplicadas; bainha aberta e não formando crownshaft; pecíolo alongado, curto ou ausente; raque longa; pinas regular ou irregularmente arranjadas, dispostas em um ou vários planos, de forma linear, usualmente aristada apicalmente, exceto quando a nervura principal é sub- terminal, com uma fina linha distal de tomentos na margem abaxial, alargando-se em direção aos ápices, algumas vezes com aurícula na base. INFLORESCêNCIA: interfoliar, múltipla, singularmente ramificada, cada uma predominatemente estaminada, estaminada e pistilada ou predominantemente pistilada, todos os tipos podendo ocorrer em uma mesma planta; pedúnculo originando um prophyll e uma bráctea peduncular lenhosa; raque orginando numerosas raquilas simples ou raramente inflorescência pistilada espigada com raquilas muito curtas, tendendo a nascerem de um só lado da raque. FLORES: nascendo em tríades ou derived pattern, com tendência de nascer de um dos lados da raquilas; flores estaminadas com 3-4 sépalas, normalmente 3, porém podendo ocorrer 1-5; estames-6-75; pistilódios pequenos; flores pistiladas com 3 sépalas; 3 pétalas; anel de estaminódios presente, gineceu sincarpo, 3 ou mais lóculos, 3 ou mais óvulos. FRUTOS: globoso, ovóide, oblongo-elipsóide ou oblongo-ovóide; resíduo estigmático apical; endocarpo grosso e bony, com ou sem fibras. SEMENTES: 1 ou várias; endosperma homogêneo; posição do embrião basal; tipo de germinação remota tubular. PRIMEIRA FOLHA: inteira.
Referência: A. Henderson (in press).
Embora as palmeiras desse gênero sejam em sua maioria de grande porte, distintas, teoricamente mais fáceis de serem estudadas, este é um dos mais controvertidos sob o ponto de vista sistemática pois foi, desde a sua primeira descrição (Kunth, 1815), alvo de diversas revisões que levaram a uma confusa sub-divisão em gêneros (Maximiliana C. Martius-1824; Orbygnia C. Martius-1837 e Scheelea Karsten-1857), espécies (Barb. Rodr., Burret., Glassman; W. Boer) e híbridos que, com o passar dos anos, o tornaram extremamente complexo, dificultando sobremaneira a realização de trabalhos que envolvessem a correta definição de espécies, muito frequentes, por exemplo, em botânica econômica.
Henderson (in press), reconhece, como W. Boer (1988), apenas um gênero, Attalea, que passa a englobar os demais. Muitas espécies com descrições duvidosas, às vezes se baseando unicamente em características não relacionadas com a morfologia floral, ou levando em consideração diferenças insignificantes (tamanho de pétalas, forma de anteras) são agora sinonímias. Desta forma, temos aproximadamente 27 espécies distribuídas na América Central e sul do México, toda a América do Sul e Trinidad. Destas, 14 são encontradas na Amazônia, 6 das quais no Acre: A. butyracea, A. maripa, A. tessmanni, A. phalerata, A. speciosa e A. insignis.
CHAVE PARA AS ESPéCIES DE ATTALEA
1. Estipe normalmente curto e subterrâneo, quando aéreo raramente com mais de 2m de comprimento; folhas com 75-148 pinas em cada lado............................................... 2. A. insignis
1. Estipe normalmente grande e aéreo, com 2-20m de comprimento; folhas com 170-321 pinas em cada lado.
2. Bainhas das folhas com fibras grossas e distintas nas margens; pecíolo virtualmente inexistente............................................................................................................... 1. A. butyracea
2. Bainhas das folhas com fibras finas nas margens; pecíolo com até 3.3m de comprimento.
3. Folhas com pinas regularmente arranjadas e dispostas em um único plano; flores estaminadas com sépalas irregularmente oblongas e retorcidas, 19-28 estames com anteras espiraladas................................................................................................................. 5. A. speciosa
3. Folhas com pinas irregularmente arranjadas e dispostas em vários planos; flores estaminads com sépalas regularmente lineares ou lanceoladas, 6-14 estames.
4. Endocarpo do fruto com muitas fibras distintamente agrupadas; flores estaminadas arranjadas em um só lado da raquila ...................................................................... 4. A. phalerata
4. Endocarpo do fruto com poucas fibras, às vezes ausentes, espalhadas; flores estaminadas arranjadas em todos os lados da raquila
5. Frutos com 4-7cm de comprimento; flores estaminadas com 3 pétalas de 3.5mm de comprimento, com ápice rombudo.............................................................................. 3. A. maripa
5. Frutos com 12-13cm de comprimento; flores estaminadas com 3 pétalas de 1.5cm de comprimento, com ápice agudo................................................................................6. A. tessmanii
1. Attalea butyracea (Mutis ex L.f.) Wess. Boer
Sinonímias: [Sheelea butyracea (Mutis ex L.f.) H. Karsten ex H. Wendl.; Cocos butyracea Mutis ex L.f]. [Attalea humboldiana Spruce; Scheelea humboldiana (Spruce) Burret]. [Attalea wallisii Huber; Scheelea wallisii (Huber) Burret]. [Scheelea bassleriana Burret]. [Scheelea passargei Burret]. [Scheelea stenorhyncha Burret]. [Scheelea brachyclada Burret]. [Scheelea tessmannii Burret]. [Scheelea macrolepis Burret; Attalea macrolepis (Burret) Wess.Boer]. [Scheelea salazarii Glassman]. [Attalea pycnocarpa Wess.Boer].
Nome vulgar: "Jací", "Coco babão"
ESTIPE: solitário, 2-20m de comprimento, 30-32cm de diâmetro, às vezes com bainhas persistentes de folhas mortas no terço superior e uma massa de raízes na base com até 40cm de altura. FOLHAS: 15, ascendentes, com o ápice curvado; bainha 0.30-1.5m de comprimento, com fibras fortes, achatadas, visíveis na margem medindo 15cm de comprimento e 3mm de largura; pecíolo normalmente ausente; raque 6-7m de comprimento, arqueada e torcida fazendo com que as pinas aparentem estar na vertical; pinas 150-182 por lado da folha, regularmente arranjadas e dispostas em um plano, lineares, ápice agudo mas com a nervura central sub-terminal, as pinas mediana medindo ca. de 1m de comprimento e 6cm de largura, de cor cinza claro, quase branco, abaxialmente, com proeminente nervura central e aurícula na base. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, múltiplas, totalmente masculina ou totalmente feminina; inflorescência masculina com pedúnculo medindo entre 0.90-1.2m de comprimento; bráctea peduncular lenhosa e sulcada externamente, com 2m de comprimento e 23cm de largura, ápice agudo de 40cm de comprimento; raque 1m de comprimento, 135-230 raquilas com 30-35cm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raque, cobertas por tomentos de cor cinza-claro; inflorescência feminina com pedúnculo medindo 1-1.4m de comprimento; bráctea peduncular lenhosa e sulcada externamente, com 1.6m de comprimento e 40cm de largura, ápice agudo de 40cm de comprimento; raque 0.96-1m de comprimento, 124-300 raquilas com até 20cm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raque principal, com 1-10 flores pistiladas na secção estaminada; profilo não visto. FLORES: estaminadas 1.5cm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raquila; 3 sépalas triangulares, 1mm de comprimento, 3 pétalas livres, lineares, 1.3-2cm de comprimento, 6 estames; pistilódio ausente. FRUTOS: numerosos, 7-8.5cm de comprimento e 3.5-4.5cm de diâmetro; forma oblonga-ovóide ou oblonga-elipsóide; epicarpo grosso, fibroso, quando maduro apresenta coloração marrom-amarelada, cor-de-rosa ou vermelha; mesocarpo carnoso, às vezes oleoso, de cor amarela ou quase branca quando maduro; endocarpo com fibras espalhadas, raramente agrupadas. SEMENTES: 1-3 por fruto; forma elipsóide.
A. butyracea está distribuída no sul do México, toda a América Central, Venezuela e Trinidad (Caribe) e no oeste da região Amazônica da Colombia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil (Acre e Amazonas). No Acre pode ser encontrada em todos os Municípios, especialmente em Sena Madureira (vale do Rio Purus).
HABITAT E ECOLOGIA
Em ambientes naturais é uma espécie típica de margens de rios, porém pode ser encontrada também em terra firme. No Acre, embora possa ser encontrada sob floresta, é mais comum em áreas pertubadas, especialmente nas pastagens cultivadas mais antigas, onde ocorre, frequentemente, associada com A. phalerata, Astrocaryum Murumuru e A. aculeatum.
O aparecimento de grandes quantidades de plantas de A. butyracea em pastagens pode ser explicada por alguns fatores. Um deles está relacionado com a sua estratégia de dispersão na qual
participam pequenos roedores (F. Chavez, com. pessoal), que, além de transportarem os frutos para lugares distantes, predam apenas o epicarpo e o mesocarpo, deixando "limpos" o endocarpo e, consequentemente, os poros por onde ocorrerá a germinação. Outro importante fator é o tipo de germinação que ocorre no Gênero Attalea-remota tubular, onde o meristema apical da planta está sob o solo e apenas as folhas ficam expostas; dessa forma, o fogo usado no preparo da pastagem não afeta a regeneração da espécie. Pinheiro (com. pess.), explicando o processo de germinação e dominação de A. speciosa em pastagens no Maranhão, afirma que o banco de sementes não germinadas e seedlings desempenham papel crucial pois enquanto estão sob floresta não têm as condições ideais de luz para crescer que adquirem após a derrubada e queima da mesma. Acreditamos que o mesmo processo deve ocorrer com A. butyracea e A. phalerata no Acre.
No campo pode ser distinguida pelas folhas com pecíolo ausente ou muito curto, com fibras grossas nas margens, pelas folhas eretas e com as pinas dispostas em um plano, pelos frutos mais frequentemente oblongo-elipsóides e, em alguns casos, pela cor avermelhada ou rosa dos frutos maduros e as múltiplas brácteas persistentes de inflorescências entre bainhas de folhas mortas, logo abaixo da copa.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre:
a) Frutos:
Nunca observamos frutos sendo vendidos no mercado, como A. phalerata. Na região de Rio Branco é uma espécie menos utilizada, especialmente pelo fato de que nem todas as plantas apresentam a polpa comestível. Temos observado que a variação no tamanho dos frutos e na qualidade da polpa em A. butyracea é muito significativa. Enquanto em Sena Madureira é apreciada pelos Seringueiros e Colonos por apresentar frutos de grande tamanho, com abundante e saborosa polpa, tradicionalmente comida com farinha de "mandioca", fornecendo também óleo de comestível, nas proximidade de Rio Branco apresenta frutos menores e é praticamente ignorada como alimento, especialmente por apresentar polpa de cor quase branca, às vezes pastosa (por este motivo também apelidado de "coco babão"). A influência do padrão de qualidade dos frutos de A. phalerata no mercado pode estar determinando esta visível rejeição.
é comum, entre alguns habitantes do interior, o consumo das larvas de inseto que se alimentam das amêndoas e podem ser facilmente extraídas dos frutos mais velhos.
b) Folhas:
Onde a espécie ocorre com abundância é uma das preferidas para a extração das folhas para uso na cobertura de habitações e de outras construções rurais típicas.
Outras Regiões:
a) Folhas, estipe, fruto:
Perez-Arbelaez (1978), fornece uma lista de usos da espécie na Colombia: folhas para cobrir habitações e viveiros; palmito comestível; amêndoa fornece "manteiga de palma" usada na alimentação e iluminação; líquido que se obtém escavando o estipe próximo ao palmito, depois de fermentado, se constitui em vinho saboroso e medicinal e finalmente as folhas novas fornecem fibras de excelente qualidade.
Na Venezuela Pittier (1926), afirma que as amêndoas podem fornecer óleo. As folhas são usadas na cobertura de habitações e o estipe para construções e lennha (Braun & Chitty, 1987).
Exemplares representativos: Rodrigues Alves, rio Juruá, Ser. Boa Vista, terraço de rio, 8° S; 73° 15'W, 6 fev 1992 (fr), A. Henderson et al 1648 (NY); Thaumaturgo, Res. Ext. Alto Juruá, m.e. do rio Juruá, Ser. São João, Col. Tapaúna, pastagem cultivada, 9° 12'S; 72° 14'W, 19 mar 1992 (fr), E. Ferreira 170 (UFAC); Cruzeiro do Sul, BR-364, km 10 em direção a Rio Branco, várzea do rio Juruá, 15 set 1985, J. Jangoux et al 85-042 (NY).
Exemplar adicional examinado: Brasil, Estado do Amazonas, Atalaia do Norte, rio Javarí, confluência com o rio Javarí-Mirim, terra firme, 4° 30'S; 71° 45'W, 10 jan 1989 (fl _), A. Henderson et al 864 (NY).
2. Attalea insignis (Mart.) Drude
Sinonímias: [Scheelea insignis (Mart.) H. Karsten; Maximiliana insignis Mart.; Eglerophoenix insignis (Mart.) Kuntze]. [Scheelea attaleoides H. Karsten]. [Attalea goeldiana Huber; Scheelea goeldiana (Huber)Burret].
Nome vulgar: (não conhecido)
ESTIPE: solitário, curto e subterrâneo, às vezes aéreo e com
até 2m de comprimento. FOLHAS: 9-11; bainha subterrânea, com até 48cm de comprimento; pecíolo 1.6-3.3m de comprimento; raque 3-9m de comprimento; pinas 114-148 por lado, irregularmente arranjadas em grupos distintos de 2-6 e dispostas em diferentes planos, lineares, agudas ou obtusas no ápice, pinas medianas com 75-88cm de comprimento, 3.5-4cm de largura; aurícula proeminente na base da primeira pina de cada grupo; as pinas apicais podem se apresentar fundidas distalmente formando janelas; nervura central bem proeminente. INFLORESCêNCIA: intrafoliar; pedúnculo 1.3m de comprimento; raquilas estaminadas 12-30, com 15-25cm de comprimento, arranjadas em todo os lados da raque, com tomentos de coloração prateada; raque pistilada 16cm de comprimento com raquilas muito curtas arranjadas em todos os lados, aparentemente as flores e frutos são sésseis. FLORES: estaminadas com 13mm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raquila, 3 sépalas ligeiramente imbricadas na base, 3 pétalas lineares, livres, 6 estames, pistilóide ausente; flores pistiladas 3.5cm de comprimento, 3 sépalas, 3 pétalas; resíduo estaminoidal com 1cm de altura. FRUTOS: forma elipsóide-oblonga, 7-7.5cm de comprimento, 3-4cm de diâmetro; epicarpo fibroso, de cor marrom quando o fruto está maduro; mesocarpo fino; endocarpo com fibras não agrupadas. SEMENTES: 2-3 por fruto.
Distribuída na Colombia, Peru e Brasil (Amazonas e Acre). Sua ocorrência no Acre só foi registrada na região da boca do rio Macauã, tributário do rio Iaco, no Município de Sena Madureira.
HABITAT E ECOLOGIA
Encontrada em áreas de floresta virgen de terra firme ou várzeas. Pode ser identificada pelo seu hábito frequentemente acaule, com folhas "encrespadas", às vezes com até 9m de comprimento, e a inflorescência que se desenvolve ao nível do solo.
Exemplares representativos: Sena Madureira, próximo à boca do rio Macauã, terra firme, 9° 20'S; 69° W, 17 ago 1933 (fl _), B. Krukoff 5572 (NY); 22 ago 1933 (fl _), B. Krukoff 5618 (NY); 22 ago 1933 (fl _), B. Krukoff 5622 (NY).
Exemplar adicional examinado: Brasil, Estado do Amazonas, Barro Vermelho, margem direita do rio Juruá, várzea, 6° 28'S; 68° 46'W, 19 out 1991 (fl _, fr), R. Pardini 20 (NY).
3. Attalea maripa (Aubl.) Martius
Sinonímias: [Palma maripa Aubl.; Palma maripa Corrêa; Maximiliana maripa (Aubl.) Drude; Englerophoenix maripa (Corrêa) Kuntze]. [Maximiliana elegans Karsten]. [Maximiliana regia Mart.]. [Maximiliana martiana Karsten]. [Englerophoenix regia (Mart.) Kuntze; Attalea regia (Mart.) Wess. Boer.]. [Maximiliana tetrasticha Drude; Englerophoenix tetrasticha (Drude) Barb. Rodr.; Scheelea tetrasticha (Drude) Burret]. [Maximiliana longirostrata Barb. Rodr.; Englerophoenix longirostrata (Barb. Rodr.) Barb. Rodr.]. [Maximiliana macrogyne Burret]. [Maximiliana stenocarpa Burret]. [Maximiliana macropetala Burret; Attalea macropetala (Burret) Wess. Boer]. [Attalea cryptanthera Wess. Boer].
Nomes vulgares: "Najá", "Inajá", "Anajá", "Catolé"
ESTIPE: solitário, 14.3m de comprimento, 229.5cm de diâmetro, ereto, às vezes com um cone de raízes na base alcançando até 70cm. FOLHAS: 20, eretas, arranjadas em espiral; pecíolo e bainha com 1.5-2.3m de comprimento fibrosos nas margens; pecíolo com até 20cm de largura na base, pecíolo e raque com os bordos cortantes; raque 6.23-6.58m de comprimento; 217-234 pinas por lado da folha, arranjadas em grupos de 2-10, dispostas em diferentes planos, lineares, aristadas, sem aurícula na base, pinas medianas com 1-1.15m de comprimento e 4-6.5cm de largura, com nervura central bem proeminente. INFLORESCêNCIA: intrafoliar, persistente, algumas vezes totalmente estaminada ou estaminada e pistilada; pedúnculo 45-100cm de comprimento; bráctea primária 0.5-1.6m de comprimento; bráctea peduncular persistente, 1.1-2.5m de comprimento incluido o ápice, longo e fino, que pode medir 35-50cm de comprimento; raque 40-100cm de comprimento; raquilas 254-1.000, 15-22cm de comprimento, dispostas em todos os lados da raque; FLORES: estaminadas com 3 sépalas triangulares, 3 pétalas unidas na base, lanceoladas, 3.5mm de comprimento, 6 estames com anteras medindo até 8mm de comprimento, pistilóide ausente; flores pistiladas 1.5cm de comprimento, 6-10 por raquila; 3 pétalas e 3 sépalas, ovário tomentoso. FRUTOS: 4.5-7.5cm de comprimento, 2.5-3cm de diâmetro, recoberto, às vezes, até a metade pelo perianto e com resíduo estaminoidal apicalmente franjado; forma oblongo-elipsóide; endocarpo sem fibras. SEMENTES: 2-3 por fruto.
A. maripa é encontrada em todo o norte da América do Sul, incluindo Colombia, Venezuela, Trinidad (caribe), Guianas, Equador, Peru, Bolívia e Brasil (Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Rondônia). Muito comum ao longo da BR-364 entre Rio Branco e Porto Velho, nos Municípios de Rio Branco, Senador Guiomard, Plácido de Castro, Extrema-California.
HABITAT E ECOLOGIA
é uma espécie que pode crescer em diferentes ambientes, desde florestas de terra firme tipicamente amazônicas a margens de savanas (Cavalcante, in FAO, 1986). é tolerante a áreas com inundações prolongadas, porém cresce melhor em solos bem drenados (FAO, 1983). Entretanto, é mais abundamente em áreas pertubadas de capoeiras e pastagens, onde costuma ocorrer como indivíduo isolado.
Uma característica que a distingue das demais espécies do gênero é que às vezes apresenta, em uma mesma inflorescência, flores femininas (poucas, na base da raquila) e masculinas (muitas, no ápice). Vegetativamente se caracteriza pelas folhas com pecíolo alongado, pinas dispostas em mais de um plano e pelo ápice agudo, alongado, contrastando fortemente com a forma inflada da bráctea peduncular.
A dispersão das sementes é realizada por mamiferos (Zona & Henderson, 1989). Absy et al (1980), classificam a espécie como nectarífera, sendo visitada por Melipona spp.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre
é uma planta singular. Em praticamente todos os lugares que ocorre o seu aproveitamento é limitado. Verificamos uma única vez o uso de folhas em cobertura de habitação na região de Plácido de Castro, mesmo assim temporariamente, enquanto se providenciava folhas de "Jarina" (Phytelephas macrocarpa). Em outras oportunidades os habitantes comentavam que no passado seus parentes costumavam retirar um tipo de "sabão vegetal" da polpa dos frutos maduros, não sendo mais uma prática usual. Para muitos habitantes da floresta o único aproveitamento de maior importância dos frutos é feito por passaros, macacis e pequenos roedores, que abundam nas proximidades das plantas em frutificação.
De acordo com informações de Seringueiros e Agricultores, o fruto é conhecido como "côco babão", ou seja, quando maduro a polpa é pastosa, sem fibras, de coloração amarelo-pálida, de sabor insípido, não lembrando o aspecto agradável das outras espécies, como Uricurí (A. phalerata) e Murumuru (Astrocaryum murumuru). Além dessa aparente desvantagem, contribui para o pouco aproveitamento o fato de ocorrer em baixa densidade na floresta, onde estão os potenciais usuários (Seringueiros, ribeirinhos e pequenos agricultores). Ironicamente as maiores concentrações ocorrem nas pastagens cultivadas, onde os proprietários-fazendeiros-em melhores condições financeiras, não têm necessidade e interesse de usar os recursos potenciais que a espécie pode vir a oferecer.
Outras regiões
A. maripa é uma das espécies potencialmente mais importantes, sob o ponto de vista econômico, do Novo Mundo. FAO (1983), relaciona-a ao lado de Bactris gasipaes (Pupunha), Acrocomia sp. (Macaúba), Elais oleifera (Dendê), Euterpe oleracea (Açaí), Mauritia flexuosa (Burití), Oenocarpus sp. (Patauá-Bacaba) e Orbignya (Babaçu).
Wallace (1853) fez uma das primeiras descrições dos usos da espécie: frutos algumas vezes comestíveis pelos indígenas e muito apreciados por macacos e alguns pássaros; brácteas usadas para aquecer alimentos e como brinquedos de crianças.
a) Frutos, Folhas, Bráctea, Palmito e Estipe:
De uma maneira geral descrições de usos de frutos na alimentação, especialmente de indígenas, folhas e estipes na construção de habitações rurais, bráctea peduncular como brinquedo para crianças e utensílio para cozinha, fibras das folhas para artesanato, palmito comestível, frutos queimados para extrair sal vegetal e produzir fumaça na defumação de borracha são repetidamente citados em Pio Corrêa (1984), Moses (1962), Braun (1968), Schultes (1974), Anderson (1977), Cavalcante (1977), Acero-Duarte (1979; 1982), FAO (1983), Hoyos & Braun (1984), Balick (1980, 1988), Boom (1987, 1988, 1990), Braun & Chitty (1987); Mejia (1988) e Galeano (1991).
Balslev & Barford (1987), comentam sobre o uso da face adaxial da base da raque da folha como material para confecção de um tipo de faca por indígenas do Equador. Na Colombia (Galeano, 1991), em tempos antigos, antes do uso do metal. os bordos do pecíolo já eram utilizados como cuchillos. Acero Duarte (1979), afirma que a madeira do estipe é muito leve (peso seco ao ar equivalente a 0,16 g/cm3), sendo adequada para uso em paredes internas e como caixaria. Outro uso interessante é feito pelos índios no Peru que raspam o estipe para fazer enchimento de cartucho de espingarda (Jordan 1970).
b) Extração de óleo:
O processamento de frutos para extração de óleo de A. maripa foi descrito por Blaak (1993). Os equipamentos utilizados são os mesmos desenvolvidos para Oenocarpus bataua. O processo pode ser resumido da seguinte maneira:
I- Separação dos frutos: depois de coletados, os cachos maduros são aquecidos em vapor de água por cerca de 8h para os frutos poderem se separar dos racimos e inativar enzimas do mesocarpo.
II- Digestão: consiste na maceração dos frutos, ainda quentes, até a sua transformação em uma polpa uniforme.
III- Reaquecimento da polpa: deve ser efetuado com uso de vapor antes da prensagem, que exige a polpa a mais aquecida possível (94-98° C).
IV- Prensagem: a polpa é depositada em uma caixa com pequenas perfurações e prensada hidraulicamente. Inicialmente se observa a descarga do óleo, de cor amarelo-laranjado, e finalmente uma substância pastosa.
V- Clarificação do óleo: consiste na recuperação do óleo contido na massa pastosa que se obtem ao final do processo de prensagem, diluindo-se em água e retirando-se o óleo que flutuar.
Este é o maior problema de todo o processo por apresentar baixa eficiência. De frutos bem maduros se pode retirar até 23% de óleo.
Do óleo do mesocarpo pode-se fazer um sabão de excelente qualidade. O óleo tem sabor picante e cor atraente para a culinária. Entretanto não existem maiores informações sobre o mercado, tanto para uso culinário quanto industrial. FAO (1983), reconhece que o consumo do óleo desta espécie só é efetivo quando existe escassez de outros tipos e que os frutos maduros são excelente alimento para porcos domésticos.
ASPECTOS AGRONôMICOS
Johson (1983) e Cavalcante (in FAO, 1986), classificam corretamente A. maripa como uma espécie semi-selvagem ou selvagem, não existindo informações sobre o seu cultivo em nível econômico. Dados confiáveis podem ser encontrados apenas para a germinação das sementes, realizados por Koebernik (1971), que indicam que são necessários dias para o seu início.
Blaack (1983), propõe um modêlo teórico de implantação de um cultivo de A. maripa para pequenos agricultores com o objetivo de extrair óleo.
Exemplares representativos: Xapurí, Ser. Dois Irmãos, Col. Já Começa, floresta primária de terra firme, 10° 38'S; 68° 15'W, 08 nov 91 (fr), E. Ferreira et al 89 (UFAC).
Exemplar adicional examinado: Peru, Loreto, Prov. Maynas, km 45 da estrada Iquitos-Nautas, floresta primária, 4° 10'S; 73° 20'W, 12 jun 1987 (fl _), R. Vásquez & N. Jaramillo 9185 (NY).
4. Attalea phalerata Mart. ex Sprengel
Sinonímias: [Scheelea phalerata (Mart. ex Spreg.) Burret]. [Attalea excelsa Mart. ex Spreng; Scheelea martiana Burret]. [Attalea princeps Mart; Scheelea princeps (Mart.) Karsten]. [Attalea cephalotes Poepp. ex Mart; Scheelea cephalotes (Poepp. ex Mart.) Karsten]. [Scheelea weberbauberi Burret]. [Scheelea huebneri Burret]. [Scheelea microspadix Burret]. [Scheelea moorei Glassman].
Nomes vulgares: "Uricuri", "Aricuri", "Oricuri", "Urucuri".
ESTIPE: solitário, 2-8m de comprimento, 20-35cm de diâmetro, às vezes estipe totalmente coberto por bainhas persistentes de folhas. FOLHAS: 12-20; bainha 0.5-1.7m de comprimento, com fibras finas nas margens; pecíolo 40-69cm de comprimento; raque 4.5-6.2m de comprimento; 106-199 pinas por lado, regular ou irregularmente arranjadas em grupos de 2-5, dispostas em um ou diferentes planos, lineares, aristadas no ápice, pinas medianas com 88.5cm de comprimento, 4cm de largura, com ou sem aurícula na base e proeminente nervura central. INFLORESCêNCIA: intrafoliar; pedúnculo 50-70cm de comprimento; bráctea peduncular 1.2m de comprimento, fortemente sulcada externamente; raque 40.5cm de comprimento, algumas vezes a raque pistilidade apresenta-se inchada; 348 raquilas estaminadas 8-11cm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raque; raquilas pistiladas 4-8cm de comprimento, arranjadas em volta de toda a raque. FLORES: estaminadas 7mm de comprimento, arranjadas em apenas 3 lados da raquila, 3 sépalas deltadas, 3 pétalas livres, lineares, 6 estames, pistilóide ausente; flores pistiladas 2-6 por raquila, arranjadas em apenas um lado da raquila, 3 sépalas deltadas, 3 pétalas, anel estaminoidal presente. FRUTOS: densamente arranjados na inflorescência; 8-11cm de comprimento e 3.5-5cm de diâmetro; forma elipsóide-oblonga; epicarpo fibroso, fino, de cor marrom clara; mesocarpo carnoso, oleoso, de cor amarelado, às vezes quase laranja; endocarpo com fibras distintamente agrupadas. SEMENTES: 1-4 por fruto.
Distribuída na parte sudoeste da floresta Amazônica Peruana (Junin, Loreto, Madre de Dios e Ucayali) e Boliviana (La Paz, Beni, Pando e Santa Cruz), A. phalerata é uma espécie cujo centro de orígem provavelmente é o planalto central brasileiro, sendo encontrada no Acre, Mato Grosso, Pará e Tocantins.
HABITAT E ECOLOGIA
Pode crescer em altitudes de até 1.000m (Andes), em regiões secas de baixa elevação, em áreas abertas, florestas de galeria e florestas de terra firme da planície Amazônica. No Acre é mais facilmente encontrada em áreas pertubadas de terra firme, especialmente pastagens cultivadas onde, a exemplo de A. butyracea, se estabelece com muita facilidade. é uma das espécies mais comuns nas pastagens próximas de Rio Branco.
Uma característica que vale a pena ser citada é a ocorrência, especialmente sob a floresta, de indíviduos da espécie hospedando grande quantidade de Pteridofitas, Cactaceas, Bromeliaceas, Araceas e outras epífitas; em alguns casos são literalmente "estrangulados" por Ficus spp. Isto ocorre em razão da grande quantidade de bainhas de folhas mortas que persistem no caule e servem de substrato ou sustentação.
Na Bolívia (Moraes, 1989), comentando a interrrelacão das palmeiras com o ambiente, cita o uso da coroa foliar da espécie como ninho de "palomas", do tronco e frutos como substratos habitacionais para Arachnida e Coleoptera.
USOS E IMPORTâNCIA ECONôMICA
Estado do Acre
a) Frutos:
é um dos mais conhecidos pela população nativa do estado. é consumido in natura, sendo vendido nos principais mercados da cidade de Rio Branco em sacolas tipo "redinha", com cerca de 10 frutos, a um custo de US$ 0.25. Informações obtidas junto aos "vendedores" indicam que toda a produção é oriunda de populações naturais das cercanias da cidade. Os coletores são pequenos agricultores que costumam se deslocar para a cidade nos finais de semana, vendendo parte da produção diretamente para o consumidor final e outra para os "atravessadores".
é possível encontrar frutos em oferta o ano todo, o que indica que o período da safra anual da espécie é bastante alongado.
Uma característica interessante que merece ser citada é a clara variação observada entre frutos oferecidos para a venda. Existe variação na forma do fruto, na espessura, cor e quantidade de fibra na polpa. Apesar dessa variação, o sabor é na maioria das vezes agradável, permitindo sua fácil comercialização. Isso deve indicar que A. phalerata, assim como as demais espécies de Attalea, apresenta muitas variações em suas características morfológicas, o que deve ter contribuído para o excesso de sub-divisões em novas espécies, que provavelmente são simples diferenciações decorrentes de influências ambientais.
Os frutos preferidos são os de polpa com coloração amarela, sem fibras e de sabor adocicado quando maduros. Para se saber se os frutos estão no "ponto ideal" pode-se usar duas estratégias: verificar se o conjunto de sépalas-pétalas ("chapéu") na base do fruto podem ser retiradas com facilidade ou se a casca separa-se integralmente da polpa desde a base até o ápice do fruto.
Entre os Seringueiros A. phalerata é uma espécie apreciada não só como fonte de alimentação e materiais de construção (Kainer & Duryea, 1992), é usada também como "espera" para caça, especialmente pequenos roedores como paca (Agouti paca) e Cutia (............), que costumam se alimentar da polpa.
b) Folhas:
Usadas basicamente na cobertura de construções rurais típicas, como casas, paióis, casa de farinha, e, mais raramente, de "toldos" de barcos de pequeno porte dos habitantes das margens dos rios. Na área urbana, durante o período conhecido como de "festas juninas", é uma tradição da população construir e enfeitar os lugares onde são realizadas as festas com folhas de A. phalerata e A. butyracea.
Atualmente, na periferia das principais cidades do Estado, não é mais frequente, como há 20-30 anos, o uso de folhas de palmeiras na cobertura das residências; estas foram substituídas pelo alumínio e o amianto.
Mesmo entre os habitantes rurais existe uma seleção entre os tipos de folhas para confeccionar a cobertura, com maior preferência por "Ubim" (Geonoma deversa) e "Xila" (Lepidocaryum tenue). A. phalerata, A. butyracea ("Jací") e Phytelephas macrocarpa ("Jarina"), embora exijam menor quantidade de folhas por área coberta e menos trabalho no preparo, têm a desvantagem de "atrair" com mais frequência ratos domésticos ( ). Isto ocorre em razao da disposição e do espaço existente entre as pinas de suas folhas, que permitem aos roedores se movimentar com muita facilidade, ameaçando a saúde e a qualidade dos alimentos estocados pelos moradores.
Outras Regiões
a) Frutos, Folhas, Palmito e Estipe:
Os usos dos recursos oferecidos por A. phalerata são similares em quase todos os lugares onde ocorre. Pio Correa (1926-1975), no seu clássico trabalho sobre as plantas úteis do Brasil, cita o uso do epicarpo seco dos frutos na produção de fumaça durante a "defumação" da borracha; a amêndoa comestível é usada na para fazer um tipo de pão chamado "bró" e uma farinha grosseira para uso em tempo de escassez; as folhas servem de forragem para cavalos; o palmito é comestível; o estipe é usado como viga em construções rurais; os índios extraem amido do mesocarpo e óleo comestível do endosperma.
Na Bolívia (Balslev & Moraes, 1989), as folhas são usadas para confecção de cestos e leques de abano. Palmito e frutos são consumidos in natura, sendo que dos frutos também se retira óleo comestível. As cinzas da bráctea peduncular são mascada junto com folhas de coca. Cardenas (1989), cita o uso das folhas na cobertura de habitações e do estipe na construção de casase fabricação de arcos de flecha e dardos.
Na Colombia as amêndoas são usadas para extração de óleo (Galeano & Bernal, 1987).
Mejia (1988), estudando a utilização de palmeiras por comunidades do baixo rio Ucayali, na Amazônia Peruana, verificou que a maioria das habitações localizadas em lugares periodicamente inundados tinham o teto construído com folhas de A.